As bombas colocadas nas torres de transmissão de energia de Furnas Centrais Elétricas, na região central do Paraná, provocaram uma onda de trotes em Curitiba. Três ameaças de bomba foram registradas depois da explosão de uma torre, no município de Nova Tebas, no dia 13 deste mês. Desde o começo do ano, o grupo anti-bombas da Polícia Militar havia antendido 17 chamados, dois deles verdadeiros. Os anúncios falsos de atentado tiveram como alvo a Assembléia Legislativa, o prédio da Receita Federal e o Executive Center Everest.
Um sintoma semelhante aconteceu em 1996, depois que foi localizada uma bomba verdadeira no Shopping Curitiba, em outubro daquele ano. Os explosivos foram retirados do prédio e detonados na Praça Osvaldo Cruz, em frente ao shopping. Nos dias seguintes, a Prefeitura teve que ser evacuada duas vezes, por causa de trotes que anunciavam a presença de bombas.
O mesmo aconteceu com o Centro Comercial Itália e alguns colégios da cidade, que, aliás, recebem trotes frequentemente, segundo o capitão Cesar Alberto Souza, sub-comandante da Companhia de Choque e responsável pelo esquadrão anti-bombas da Polícia Militar. Souza afirma que os estudantes passam o trote para evitar uma prova difícil ou assistir a um jogo de futebol.
O presidente da Associação dos Lojistas do Shopping Curitiba, Augusto José Pedri, afirma que a atitude das pessoas que passam trote é irresponsável e traz prejuízos incalculáveis à população e ao comércio. Segundo ele, as vendas caíram entre 30% e 40% nos meses seguintes à explosão da bomba encontrada no shopping.
‘‘Pura irresponsabilidade’’, dispara o delegado regional da Polícia Federal no Estado do Paraná, Luiz Melzer. Apesar do trote ser contravenção penal de comunicação falsa de crime, os responsáveis por eles nunca são localizados. Isso ocorre, segundo o capitão Carlos Souza, porque a população não denuncia os responsáveis. ‘‘Vêem mais como uma brincadeira’’, diz.
Souza revela que em 90% das comunicações relacionadas a bomba não há sequer artefatos explosivos. ‘‘Ocorrem principalmente em colégios’’, diz ele. Em 10% delas, segundo Souza, existe algum tipo de objeto, mas geralmente não é explosivo. Apesar da pouca probabilidade de haver bombas, a orientação do soldado é que as pessoas evitem mexer em pacotes suspeitos quando sofrerem uma ameaça.

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