Trotes envolvendo comunicados a bomba são, no mínimo, uma grande irresponsabilidade. A afirmação é do capitão Manoel Jorge dos Santos Neto, do setor de Comunicação Social da Polícia Militar de Curitiba. Ele lembra que a polícia é treinada para atender situações de emergência envolvendo explosivos, mas que colocar estes policiais que são altamente especializados em ação exige grande investimento do Estado e, por consequência, do contribuinte.
De acordo com o capitão, se este tipo de ocorrência for em um edifício comercial ou em um shopping, por exemplo, são necessárias cerca de seis horas para a operação completa, que envolve isolamento, evacuação e varredura de toda a área, e um contingente de 100 homens, que são retirados do policiamento ostensivo e dos atendimentos pelo 190. O capitão calcula que, se forem levados em conta os investimentos no treinamento de um grupamento anti-bombas, o custo das horas trabalhadas e o combustível para deslocamento das viaturas, uma operação envolvendo 80 homens e três horas de trabalho não sai por menos de R$ 150 mil.
No caso da operação realizada ontem na Folha, portanto, onde foram utilizados 16 policiais durante mais de duas horas, o prejuízo para os contribuintes ficou em quase R$ 30 mil. ''Isso sem contar o estresse causado tanto nos funcionários como nos policiais, que vão para uma operação como esta sempre esperando o pior'', completa o oficial. Ele lembra que em Curitiba a última ocorrência de vulto envolvendo denúncia de bomba foi no Shopping Curitiba, há uns cinco anos.
Segundo o sub-comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina, capitão Altivir Cieslak, em torno de 75% das ligações para o número 190 não são de emergências, ocupando desnecessariamente a linha telefônica. Deste percentual, algo em torno de um terço são trotes. ''Esta é uma prática criminosa que pode ser enquadrada no artigo 340 do Código Penal, que diz respeito à comunicação falsa de crime ou contravenção, e pode resultar em pena de um a seis meses de prisão ou multa'', informa.
Em matéria publicada pela Folha em julho de 2002 sobre o perigo das bombas caseiras, o então comandante do Grupo de Operações Especiais do Pelotão de Choque da PM, tenente Marcelo Israel da Costa Vieira, disse que as receitas, encontradas com facilidade na internet, podem machucar quem se arrisca a prepará-las. Segundo ele, 80% das bombas caseiras explodem nas mãos de quem as fabrica. ''Na internet são dadas apenas explicações básicas, mas nunca se fala do cuidado que precisa haver na manipulação dos materiais.''

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