Rubens Burigo Neto
Especial para a Folha
Nos primeiros 16 dias de outubro o Centro de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom) de Curitiba recebeu 16.842 trotes pelo telefone 193, quase 80% das 21.105 ligações atendidas no período. Na maioria das chamadas os atendentes são vítimas de brincadeiras e piadas, feitas por crianças em idade escolar, que ligam de telefones públicos. Do total de ligações, 1.238 provocaram o atendimento a emergências reais e 3.007 foram pedidos de informação.
O sistema telefônico do Cobom não possui um identificador de chamadas. Entre os meses de abril e maio foi testado um aparelho de identificação durante 45 dias. ‘‘Por problemas técnicos tivémos que desligá-lo, mas está em nossos planos a instalação de equipamentos mais modernos que identifiquem estes infratores,’’ garantiu o Major Vanderlei Mariano, chefe do Cobom. Pela Lei de Contravenções Penais (Art. 41), provocar ‘‘falso alarme’’ pode dar de 15 dias a seis meses de detenção ou multa em dinheiro.
Esta é a primeira vez que o Corpo de Bombeiros realiza uma pesquisa para dimensionar a quantidade de trotes recebidos. Até dezembro, informou o Major, a pesquisa deve mostrar quanto tempo é perdido no atendimento aos trotes.‘‘Ao fazer um trote, as pessoas não pensam que nos enganando, estão provocando o desguarnecimento de outra região da cidade.’’
O serviço de atendimento através do telefone 193 funciona 24 horas por dia, sem interrupções. Cinco equipes de atendentes se revezam em 3 turnos de 8 horas cada. ‘‘Na dúvida somos obrigados a verificar muitas das denúncias. Mas a experiência em atender tantos telefonemas inúteis tem evitado que aconteçam deslocamentos desnecessários’’, alertou o chefe do Cobom. O Major Mariano disse que a estrutura atual do Cobom tem suportado sem problemas a demanda de ligações.
O soldado Gerson de Castro informou que, nos 8 anos em que trabalha como atendente, já denunciou cinco jovens à polícia. ‘‘É uma função estressante’’, resignou-se. Durante o dia, contou ele, é possível identificar os telefonemas de crianças que estão nas escolas porque pode-se ouvir as vozes dos colegas em volta do aparelho. Castro disse que, à noite, são comuns as ligações de homens e mulheres em busca de uma conversa. ‘‘Muitas pessoas querem desabafar, mas, de pronto, a gente os avisa que o 193 é restrito ao atendimento de emergências.’’

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