Trotes atrapalham Emergência
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terça-feira, 02 de setembro de 2008
Fernanda Borges<br>Equipe da Folha 
Londrina - Todos os dias, agentes de apoio do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar (PM) atendem centenas de ligações de pessoas que buscam socorro, vítimas de traumas, acidentes ou até mesmo tentativas de homicídio. O problema surge quando algumas dessas ligações transmitem informações falsas ou têm como único objetivo "brincar com a seriedade do serviço de emergência.
Na noite de segunda-feira, uma ligação um tanto estranha chamou a atenção dos socorristas do Siate e também de policiais militares que se mobilizaram rapidamente para atender uma ocorrência que na realidade não existiu. Um homem ligou para o Corpo de Bombeiros e disse que uma pessoa estava sangrando em frente à sua casa, possivelmente vítima de esfaqueamento. Segundo a atendente Daniela Escrivani, que atendeu a chamada, o homem deixou um celular de contato, mas não permaneceu no local para aguardar a viatura do Siate porque estaria saindo para o trabalho.
O Corpo de Bombeiros possui um protocolo de atendimento que institui a presença da polícia no local quando há vítima de agressão. Na ocasião, uma viatura da PM chegou a se deslocar rapidamente para o local e sofreu um acidente no caminho. Os ocupantes da viatura tiveram ferimentos leves e médio, um deles chegou a sofrer escoriações no braço e lesão cervical.
O comandante interino do Corpo de Bombeiros, major Nilson Bezerra, explicou que não há estatísticas que registrem a quantidade de trotes pelo 193, mas que é comum casos em que crianças ou até mesmo adultos que atrapalham o trabalho dos socorristas.
O sargento lembrou que acionar um órgão público de emergência sem necessidade é considerado crime e que uma pessoa flagrada passando trote pode ser presa. "Há grande transtorno quando um pessoal se desloca até um local sem necessidade. O caminhão circulando em emergência pelas ruas da cidade sem necessidade pode colocar em risco a vida dos bombeiros e terceiros, disse.
Cerca de 15% das 2 mil ligações diárias feitas à PM de Londrina são trotes. Por ano, são 720 mil ligações, destas, cerca de 100 mil se caracterizam como trotes. Segundo o porta voz da PM, tenente Ricardo Eguedis, toda vez que isso ocorre há um grande transtorno para toda a equipe. Há gasto de tempo, combustível das viaturas, pessoal. Eles vão até o local e se não encontram nada continuam procurando até constatar realmente que foi um trote. A população precisa saber que não é incomum casos de pessoas que são presas passando trote, porque a própria polícia fica de olho, ressaltou.


