Trotes atrapalham atendimento de urgência
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sábado, 07 de fevereiro de 2009
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Passar um trote, mesmo com a intenção de brincadeira, pode ter consequências graves e resultar, inclusive, em prisão para o responsável pelo ato. A atitude é considerada crime, previsto no artigo 266 do Código Penal, com aplicação de multa e pena de um a três anos de prisão. Apesar da gravidade, a prática é comum, principalmente entre crianças. Para agravar a situação, entre os serviços escolhidos para aplicar as pegadinhas estão o Samu e o Siate. O tempo gasto para atender os chamados inexistentes é fundamental para salvar vidas. Em Apucarana e Arapongas, os trotes são tantos que a polícia foi acionada para identificar os responsáveis (leia mais nesta página).
Em Londrina, no mês de janeiro, das 7.651 chamadas registradas pelo Samu, 1.125 (um total de 15%) foram trotes. O número é maior do que as chamadas feitas para pedidos de transferência de pacientes (807 ligações 11%) e dos pedidos de orientações de serviços 468 chamadas (6%). Já no Siate as ligações consideradas trotes não são computadas, mas a incidência hoje é menor do que dois anos atrás. A maior parte das ligações é feita por celular pré-pago (quando não há como identificar a chamada), por telefone público e por último, por telefones de residências. Só em janeiro, o Samu registrou 14 trotes de um mesmo número de celular.
Tanto no Samu quanto no Siate os principais responsáveis pelos trotes são as crianças. São ligações que chegam, geralmente, com situações de brincadeiras, mas que acabam ocupando a linha e impedindo que um telefonema mais sério seja atendido. Segundo o gerente geral do Samu e diretor médico do Siate, Carlos Caviglione, esse tipo de ligação é breve, mas atrapalha. São brincadeiras típicas, como venha apagar o fogo na caixa dágua e em seguida desligam. Por mais que a ligação seja rápida, se todas as linhas estiverem ocupadas, vai atrapalhar o atendimento, explica.
Caviglione afirma que os casos mais graves vêm dos adultos. Eles elaboram mais o trote e ocupam todo o sistema. Baseado nas informações que eles repassam, com histórias e endereços coerentes, fazemos o deslocamento das ambulâncias. Quando chegamos no endereço, geralmente não localizamos o número e precisamos tomar outras medidas, como ligar para vizinhos para tentar identificar o local da ocorrência.
Em casos como este, toda a equipe é deslocada e o tempo gasto na localização da ocorrência pode durar até uma hora. Não podemos ignorar o chamado e precisamos nos cercar de que, realmente, não existe ninguém precisando de socorro.
O gerente do Samu afirma que a responsabilidade dos atendentes é muito grande, já que o trabalho está diretamente ligado a vidas. É por isso que precisamos que as pessoas se conscientizem e não passem os trotes. Atrapalha muito o serviço, que é sério e já envolve situações de risco e de tensão.
Como os telefonemas são gravados e os números identificados, no caso de trotes feitos por crianças, os atendentes retornam as ligações um período depois para falar com os pais ou responsáveis pela criança (na maioria das vezes, elas estão sozinhas em casa quando realizam os trotes). Muitos pais aceitam, se constrangem, pedem desculpas e sabemos que vão orientar os filhos. Mas a maioria não acredita que os filhos deram os trotes e às vezes ficam bravos com nossas ligações.


