Londrina - Passar trotes pode ter consequências graves e resultar, inclusive, em prisão para o responsável pelo ato. A atitude é considerada crime que está previsto no artigo 266 do Código Penal, com aplicação de multa e pena de um a três anos de prisão. Apesar da gravidade, a prática é comum, principalmente entre crianças. Para agravar a situação, entre os locais escolhidos para aplicar as "pegadinhas", estão o Samu e o Siate.
O tempo gasto para atender os chamados inexistentes é fundamental para salvar vidas. Em Apucarana e Arapongas, os trotes são tantos que a polícia foi acionada para identificar os responsáveis (leia mais nesta página).
Em Londrina, no mês de janeiro, das 7.651 chamadas registradas pelo Samu, 1.125 (um total de 15%) foram trotes. O número é maior do que as chamadas feitas para pedidos de transferência de pacientes (807 ligações - 11%) e dos pedidos de orientações de serviços - 468 chamadas (6%). Já no Siate as ligações consideradas trotes não são computadas, mas a incidência hoje é menor do que dois anos atrás.
A maior parte das ligações é feita por celular pré-pago (quando não há como identificar a chamada), por telefone público e por último, por números de residências. Só em janeiro, o Samu registrou 14 trotes de um mesmo número de celular.
Tanto no Samu
quanto no Siate os principais responsáveis pelos trotes são as crianças. São ligações que chegam, geralmente, com situações de brincadeiras, mas que acabam ocupando a linha e impedindo que um telefonema mais sério seja atendido. Segundo o gerente geral do
Samu e diretor médico do Siate, Carlos Caviglione, esse tipo de ligação é rápido, mas atrapalha. "São brincadeiras típicas, como ‘venha apagar o fogo na caixa
d’ água’ e em seguida desligam. Por mais que a ligação seja rápida, se todas as linhas estiverem ocupadas, vai atrapalhar o atendimento", explica.
Caviglione afirma que os casos mais graves vêm dos adultos. "Eles elaboram mais o trote e ocupam todo o sistema. Baseado nas informações que eles repassam, com histórias e endereços coerentes, fazemos o deslocamento das ambulâncias. Quando chegamos no endereço, geralmente não localizamos o número e precisamos tomar outras medidas, como ligar para vizinhos para tentar identificar o local da ocorrência".
Em casos como este, toda a equipe é deslocada e o tempo gasto na localização da ocorrência pode durar até uma hora. "Não podemos ignorar o chamado e precisamos nos cercar de que, realmente, não existe ninguém precisando de socorro."
O gerente do Samu afirma que a responsabilidade dos atendentes é muito grande, já que o trabalho lida diretamente com vidas. "É por isso que precisamos que as pessoas se conscientizem. Atrapalha muito o serviço que é sério e já trabalha em situações de risco e de tensão." Como os telefonemas são gravados e os números identificados, no caso de trotes feitos por crianças, os atendentes retornam as ligações um período depois para falar com os pais ou responsáveis pela criança. "Muitos pais aceitam, se constrangem, pedem desculpas e sabemos que vão orientar os filhos. Mas a maioria não acredita que os filhos deram os trotes e às vezes ficam bravos com nossas ligações."

Apucarana

Em Apucarana, o índice de trotes chega a 45%. "Uma outra pessoa pode estar precisando de atendimento urgente e a linha está ocupada com trote", afirma o ex-coordenador do Samu, Rodrigo Cezar de Faria. (colaborou Kalinka Amorim)

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