Cornélio Procópio – Focos de dengue, muros pichados, entulhos espalhados pelo chão e calçadas sem acessibilidade. Estes foram apenas alguns dos problemas fotografados pelos calouros da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) nas primeiras horas de uso do aplicativo ReportCity. O programa para celular desenvolvido por ex-alunos dos cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia da Computação e Engenharia de Software do campus de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro) foi utilizado durante o Trote Solidário. Mais de 140 estudantes participaram das atividades.
Após baixar o aplicativo no celular, os calouros se dividiram em grupos e percorreram as ruas de Cornélio Procópio. A cada irregularidade, uma foto para comprovar o problema, avisar os outros moradores e pedir providências à prefeitura. O GPS utilizado no programa indica a localização exata do usuário e a foto pode ser classificada em categorias e subcategorias para facilitar a geração do relatório parcial e o encaminhamento aos órgãos responsáveis pela execução dos serviços públicos.
A novidade foi bem recebida entre calouros e veteranos da UTFPR. Uildson Santos, de 28 anos, veio de Camaçari (BA) e aprovou a iniciativa inovadora. "Estava preparado para um outro tipo de trote... (risos) Assim foi bem melhor. Nunca tinha visto um aplicativo desse tipo. É importante e deve trazer muitas melhorias para a cidade", afirmou o calouro do curso de Engenharia da Computação. "É muito legal. É uma maneira rápida de expor os problemas e pedir soluções", completou o veterano Lucas Ricardo Franco, de 18 anos, que veio do município de Registro (SP) para estudar na UTFPR. Durante a caminhada, os novos alunos aproveitaram para conhecer a cidade e conversar com a vizinhança.
Mesmo sem acesso ao aplicativo, muitos moradores aproveitaram para reclamar das falhas na infraestrutura. "Se eu pudesse acessar isso aí, eu colocaria esse tanto de buraco nas ruas que a gente vê todo dia. Isso seria muito bom para Cornélio. Aqui está um descaso só", avaliou a dona de casa Sebastiana Aparecida Genuário. "Vai ser interessante para tentar corrigir essas falhas. Aqui mesmo [na Avenida Nossa Senhora do Rocio] falta sinalização e a prefeitura deveria colocar mais quebra-molas para diminuir o risco de acidentes", disse um servidor público próximo à Praça Botafogo, onde as más condições dos banheiros públicos também mereceram o registro dos alunos. Ele preferiu não ser identificado. "Tem uma obra parada ali perto da linha do trem. Os carros não passam e até para ir a pé está difícil", comentou o autônomo Roldemir Kiche. Além de testar o aplicativo, os estudantes coletaram doações de alimentos, roupas e produtos de limpeza que serão repassados a entidades assistenciais.

PROVIDÊNCIAS
Toda a movimentação dos alunos foi acompanhada em tempo real pelos coordenadores do projeto, que permaneceram em uma sala no campus da UTFPR conectados a um computador. O relatório final com os problemas identificados pelas equipes será entregue à Prefeitura de Cornélio Procópio. "Nós incentivamos a realização desse projeto piloto para que a população possa se comunicar a todo momento com o município. Temos 50 mil habitantes. Já tive uma experiência interessante nas redes sociais logo que assumi o mandato. Depois de uma chuva forte, pedi para que os moradores me dissessem onde estavam os bueiros entupidos e consegui organizar os trabalhos com essa ajuda. Sei que, com o aplicativo, a cobrança será maior, mas vamos analisar os dados e verificar essa demanda", afirmou o prefeito Frederico Carlos Alves, que acompanhou parte das atividades. Segundo ele, a ouvidoria do município recebe, em média, 300 ligações por mês com pedidos de melhorias. A troca de lâmpadas queimadas é a campeã entre as solicitações.
O diretor-geral do campus de Cornélio Procópio da UTFPR, Devanil Antônio Francisco, comemorou a realização do Trote Solidário. "A gente sempre procurou trazer o trote para dentro da universidade com atividades culturais e atividades ligadas a assistência social. Não adianta só proibir o trote. É preciso criar alternativas como essa", destacou. "Se você olhar bem, há problemas em todos os lugares e a comunidade também pode se envolver para ajudar a resolvê-los. Se, eventualmente, os alunos identificarem problemas aqui no campus, nós também vamos analisar o que pode ser feito e planejar uma solução, mas estamos com o orçamento apertado", adiantou.

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