Trote 'social' recepciona calouros
Emerson Cervi
De Curitiba
Os alunos do primeiro período do curso de medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) começaram ontem a participar da semana de recepção de calouros, pela primeira vez sem o tradicional trote. O curso de medicina é o único da UFPR a iniciar as aulas do segundo semestre em julho. Na sexta-feira passada, o reitor Carlos Roberto Antunes dos Santos proibiu trotes violentos. Calouros de outros cursos da UFPR começam as aulas em agosto e também participarão da nova forma de recepção.
Os tradicionais cortes de cabelo, banhos de lama, desfiles de calouros em fila indiana foram substituídos por palestras informativas e campanhas sociais. Os alunos do 3º ano de medicina, responsáveis pela recepção dos 88 calouros que começam o curso nesse semestre, fizeram ontem as primeiras palestras com informações básicas sobre o curso.
A nova semana de recepção faz com que os veteranos ganhem mais respeito dos calouros, mas perdemos em integração, disse o acadêmico Vinicius Basso Preti, da comissão de recepção. Segundo Guilherme Pinto, que também faz parte da comissão,os trotes tinham mais brincadeiras e gincanas do que violência.
Com ou sem violência, o trote tradicional foi substituído por campanhas de doação de alimentos e agasalhos e mutirões informativos sobre doenças sexualmente transmissíveis e Aids. Os veteranos esperam arrecadar 250 quilos de alimentos dos calouros nos próximos dias.
Os alunos do 3º período também estão organizando uma campanha para doação de sangue dos calouros. Eles esperam uma resposta da direção do curso para organizar uma campanha de informação sobre doenças sexualmente transmissíveis e Aids na rua XV de Novembro. A direção do setor está tentando conseguir camisinhas para distribuirmos durante o mutirão, contou o veterano. A doação de sangue dos calouroas ainda não tem data marcada.
Marcelo Saganke Martins, 19 anos, é calouro pelo segundo ano consecutivo na UFPR. No vestibular de 1998 ele foi aprovado no curso de Desenho Industrial e recebeu o trote antigo. Agora, em medicina, está experimentando a nova forma de recepção. É melhor sem o trote, porque não é legal quando os veteranos cortam o seu cabelo e obrigam a fazer coisas que você não quer, contou. A recepção com campanhas sociais é mais produtiva que o trote.





