No mês passado, milhares de brasileiros que receberam, em seu e-mail, a mensagem ''Isenção de Pedágio'' foram informados de que uma nova lei, de nº 8.675 (''aprovada por 116 votos a 15''), ''regulamentava'' o pedágio em todas as rodovias brasileiras.
Segundo a mensagem, a partir do dia 7 de julho, estariam isentos de pagamento todos os motoristas que passassem por praças de pedágio entre zero hora e às 6 horas do dia que antecedesse feriados ou finais de semana prolongados. A lei teria sido promulgada no dia 1º de julho pelo Ministro dos Transportes, ''Celso Burlão Nogueira'', e o objetivo seria reduzir o fluxo de veículos nas rodovias nos dias sem trabalho, para evitar congestionamentos. A fonte seria o Diário Oficial da União.
O problema é que o nome verdadeiro do Ministro dos Tansportes é José Henrique de Almeida Sousa e a promulgação da nova lei, claro, nunca apareceu no Diário Oficial. Mesmo diante de um trote evidente, teve gente que mordeu a isca. De acordo com a assessoria de imprensa da Econorte, empresa que administra o lote 1 do Anel de Integração do Paraná, cinco usuários ligaram para o serviço de 0800 da concessionária para perguntar sobre a ''nova lei''. Reclamações formais sobre o assunto não foram registradas nos guichês de pedágio.
A assessoria da Viapar, que trabalha em 475 quilômetros entre Rolândia, Maringá, Paranavaí e Cascavel, informou que nenhum usuário cobrou isenção de pedágio desde que a mensagem entrou em circulação, o que indica que a grande maioria percebeu que se tratava de trote.
A assessoria de imprensa do Ministério dos Transportes informou ontem que não pretende tomar nenhuma medida legal caso seja detectado o autor da mensagem original, já que o caso não teve grandes consequências. Além disso, no Código Penal ainda não existem leis específicas para punir quem veicula boatos pela Internet.
Uma jornalista do Espírito Santo, Vanessa Maia, chegou a apresentar a informação como verdadeira. Procurada pela reportagem, a jornalista confirmou que apresentou a falsa notícia. ''Recebi um e-mail do Ministério do Trabalho, de uma pessoa na qual tenho total confiança. Aconteceu num final de noite, numa sexta-feira. Não procurei apurar a informação'', admitiu Vanessa. Ela afirma que o caso não lhe trouxe problemas. ''Aqui no Espírito Santo, são pouquíssimas as rodovias privatizadas. A situação não teve repercussão alguma'', explicou.
Cerca de um mês e meio após o trote, o jornalista (que pediu para não ser identificado) que encaminhou o e-mail para Vanessa ainda não sabia que a isenção de pedágio não passava de trote. ''Era falso? Nossa, estou sabendo por você!'', disse ao repórter da Folha. O jornalista informou que não tinha mais em seu computador o e-mail que havia recebido, mas acha difícil acreditar que se tratava de trote. ''Vinha recomendado pelo Ministério do Trabalho, era coisa importante'', afirmou, antes de admitir: ''Se bem que vinha encaminhado pelo amigo de um amigo...'' A internet fez mais uma vítima.

mockup