Trote no início das aulas na UFPR
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segunda-feira, 02 de março de 2009
Thiago Alonso<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Mesmo com a proibição da pró-reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que vetou a aplicação de trotes, calouros de um dos cursos passaram por brincadeiras aplicadas por veteranos na manhã de ontem, em Curitiba. Eles participaram voluntariamente do trote.
O trote começou no pátio da Reitoria de UFPR, na Região Central, com todos os calouros em círculo cantando uma música (com uma letra dizendo ''Quero passar a mão no seu fogão/ fritar o seu pastel, mas que delícia/ mas não se preocupe, é sem malícia''), enquanto as mãos eram passadas nos corpos alheios. Em seguida, os alunos tiveram os rostos pintados e foram levados a um sinal de trânsito a duas quadras da reitoria, onde pediram dinheiro para os motoristas que passavam.
Mesmo com a permissão dos calouros e a não utilização da violência, a atitude foi considerada irregular pela pró-reitora de Assuntos Estudantis da UFPR, Rita de Cássia Lopes. ''O trote é considerado um rito de passagem, mas tudo o que gera um transtorno físico e moral não é validado pela universidade'', diz. Mas a universidade só irá tomar providências caso haja alguma denúncia de abuso.
Ainda acordo com a pró-reitora, as ações realizadas fora das dependências da UFPR também não estavam permitidas e são consideradas contrárias às normas da instituição. ''Estas ficam a cargo da segurança pública'', diz Rita de Cássia.
Descontração
Um dos estudantes do curso defendeu os colegas de turma, referindo-se à atividade como ''uma dinâmica para descontrair''. ''Só participou quem quis'', emendou ele, que faz parte do centro acadêmico do curso. Em seguida, reconheceu: ''é um trote, mas sem violência''.
''Vítima'' da brincadeira, a recém-egressa na universidade, Fernanda Pamplona, 18 anos, não considerou a ação ofensiva. ''Não é obrigado a participar. Acho que ajuda na interação'', disse. Já a futura colega de profissão, Luíza Maioli, 19, acredita que faltou respeito de alguns veteranos. Ela teve o rosto pintado contra sua vontade. ''Na verdade não gostei. Achei que foi meio forçado. A dinâmica constrangeu o pessoal'', explicou.
Ao contrário dela, outros comemoravam o trote. ''Já consegui R$ 1,50 e um chiclete!'', dizia Natália Panis, 17, com o rosto e os braços pintados. ''Só é trote a partir do momento em que nos sentimos constrangidos e obrigados a participar. Acho que o que está sendo feito é uma maneira de comemorar nossa vitória'', afirmou.
Solidariedade
A UFPR organizou uma série de atividades no chamado ''trote solidário''. São ações como pintura de escolas públicas, arrecadação de livros, apresentações artísticas e gincanas. Rita de Cássia conta que a mudança da cultura do trote violento para o solidário é um processo que a UFPR instituiu, mas que é necessário um tempo de transformação para ser seguido de fato. ''Isso requer grande movimentação da sociedade e da universidade'', diz.
Vários cursos já adotaram o trote solidário. Os calouros de Engenharia Civil, por exemplo, participam de uma série de conferências e de visitas a laboratórios. Na manhã de quinta-feira, vão pintar a fachada da Escola Municipal Foz do Iguaçu, no bairro de Santa Felicidade. Já os calouros de Pedagogia vão realizar uma campanha de arrecadação de roupas e alimentos para doar a entidades beneficentes.
Neste ano, o número de calouros da UFPR aumentou 27% em relação ao ano passado. São 1.105 novas vagas. A maioria delas está entre os 21 novos cursos criados pelo governo federal. Além dos calouros, outros 25 mil alunos de graduação e de pós-graduação retornam às aulas nesta semana.


