Trote fora de hora
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segunda-feira, 05 de maio de 2003
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Com três meses de atraso, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) iniciou ontem o ano letivo de 2003. Cerca de 13,5 mil estudantes 3.010 calouros voltaram às aulas, com calendário acadêmico apertado e campanha contra o trote violento.
Para os estudantes, os atrasos causados pela greve que começou em 2001 e durou 169 dias dificultam o aprendizado. Na opinião do aluno de ciência da computação, Alexandre Casemiro Andriani, 18 anos, a demora no início das aulas prejudica por exigir maior esforço para alcançar o desempenho desejado. Com as greves, sua turma deve fazer os quatro anos de curso com um semestre a menos. ''Fica mais difícil. Seria mais tranquilo se o tempo fosse o adequado. Quem não estiver antenado, fica para trás'', salienta.
Estudante do último ano de psicologia, Flávia Figueiredo Vicentini, 22 anos, diz que a quebra na continuidade das disciplinas é o principal prejuízo acarretado pela greve. ''Apesar de passar por duas paralisações, não houve atraso no meu curso'', declara.
Jairo Queiroz Pacheco, responsável pela Coordenadoria de Assuntos de Ensino de Graduação (CAE), informa que em dois anos e meio o calendário já vai estar adaptado depois da greve. Segundo ele, a previsão inicial era de normalizar em cinco ou seis anos.
Pacheco afirma que o primeiro dia do ano letivo de 2003 foi tranquilo. Ele admite a ocorrência de aulas vagas por falta de professores, mas afirma que o problema é histórico. ''Isto acontece todo ano. Mas serão contratados substitutos e definitivos para resolver esta situação'', afirma. Por enquanto, os cursos deverão fazer ajustes nos horários das disciplinas para não deixar os alunos sem aulas.
Na manhã de ontem, um defeito numa máquina impressora atrasou a entrega do certificado de matrícula documento que inclui os horários das aulas. Segundo Pacheco, o equipamente foi consertado antes do horário de almoço.
Nesta primeira semana de aula, a CAE está promovendo uma campanha contra o trote violento. Foram realizadas reuniões com lideranças estudantis para conscientização sobre os riscos para os calouros. Os trotes devem excluir violência ou constrangimento e ter a participação facultativa dos recém-aprovados no vestibular.
A santista Ariane Fernanda da Silva, 20 anos, e a londrinense Luciene Airy Nagashima, 17, são calouras de biomedicina. Elas passsaram ontem por uma aula-trote, que consideraram ''tranquila''. ''Acho melhor assim. Podemos comemorar a aprovação sem terror ou sustos. A gente fica contente e se enturma com os outros estudantes'', diz Luciene.


