Mauricio Della Barba
De Londrina
Apesar da proibição feita pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) a qualquer tipo de trote na recepção dos seus novos estudantes, ontem alguns calouros foram às ruas da cidade pedir dinheiro nos semáforos. A atitude imprevista levou até o próprio vice-reitor da UEL, Márcio Almeida, ao centro de Londrina para evitar o trote. ‘‘Já havíamos alertado os veteranos, que assinaram um termo de compromisso no momento da matrícula deste ano. Não vamos tolerar qualquer tipo de trote e se houver denúncia vamos atrás dos responsáveis’’, afirmou Almeida.
Desde a manhã de ontem, calouros da UEL, com o rosto e o corpo pintados e outros com lama, coletavam dinheiro a pedido dos veteranos dos cursos de agronomia, engenharia civil e direito. ‘‘Estamos aqui porque queremos. Estamos juntando dinheiro para fazer um churrasco’’, disseram as calouras de direito, Fernanda Bucker, de 18 anos, e Carolina Lopes, de 19 anos.
Um aluna veterana de direito, que não quis se identificar, acompanhava o grupo de calouros no Calçadão e justificava a espontaneidade na participação do trote. ‘‘Participa quem quer. Não há nenhuma tipo de pressão e muito menos violência. É um forma alegre de unir todo mundo’’, disse.
A Resolução Nº 89/99 proíbe o trote na UEL e quem praticá-lo está sujeito a penalidades que podem chegar à expulsão – no caso de universitários veteranos. Fora do câmpus, uma lei municipal também proíbe o trote em áreas públicas.
A alegação dos calouros de que a participação no trote é espontânea não convenceu o vice-reitor. ‘‘Fui pessoalmente conversar com um grupo de 10 estudantes que praticavam o pedágio no centro e constatei que muitos tinham medo de sofrer represálias por parte dos veteranos’’, disse Almeida. Após a conversa com os alunos, Almeida conseguiu acabar com o pedágio no local.
O trote irritou o vice-reitor, que ontem mesmo decidiu reunir-se com os chefes dos departamentos de todos os cursos da UEL para reafirmar a proibição do trote e alertar os alunos para as possíveis consequências da infração. ‘‘É lamentável que essa prática ainda persista. Vamos advertir, suspender e até expulsar aquele que insistir em realizar o trote, seja dentro da UEL ou fora dela’’, afirmou Almeida.
O calouro que se sentir prejudicado pela prática de trote violento ou abusivo pode denunciar os autores em qualquer um dos 15 postos de reclamação que a UEL instalou no câmpus. Vale lembrar que entende-se por trote toda manifestação estudantil que configure agressão física, psicológica, moral ou qualquer forma de constrangimento ou coação de qualquer espécie, incluindo danos materiais, dentro ou fora dos limites da universidade.

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