Trote de mulheres atrapalha bombeiros
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de agosto de 2003
Lucinéia Parra<br>Equipe da Folha 
Maringá O Corpo de Bombeiros de Maringá vem registrando, nos últimos meses, um número grande de mulheres que ligam de madrugada para a corporação apenas para conversar. A maioria das ligações, conforme os bombeiros, são de mulheres casadas cujos maridos estão em viagem. A corporação ainda não tem estatística das ligações mas acredita que mais de 60% das telefonemas atendidos na madrugada são de mulheres.
As mulheres dizem estar sozinhas e fazem de tudo para prorrogar a conversa com os soldados. ''Antes, já tivemos muitos problemas com soldados que até marcavam encontros, mas hoje isso não ocorre porque eles sabem que as ligações são gravadas e as fitas depois são encaminhadas para o comando'', explica o tenente Gilberto Gavlovski.
A orientação dada aos soldados, segundo ele, é para que façam a identificação da ocorrência o quanto antes e liberem a linha. ''Os soldados não esticam a conversa porque sabem que depois vão ter que se explicar com o comando. Mesmo assim, as mulheres tem insistido em ligar para a corporação'', diz. Segundo ele, isso ocorre todas as noites.
Até o ano passado a maioria dos trotes era praticada por crianças e adolescentes. Atualmente, de acordo com o tenente Gilberto Gavlovski, das cerca de 600 ligações diárias, 60% a 70% são trotes ou ligações sem urgência.
Mesmo quando os trotes não visam o deslocamento de viaturas, Gavlovski afirma que, na pior das hipóteses, tais brincadeiras prejudicam o trabalho da corporação. ''Enquanto estamos atendendo um trote, alguém pode estar tentado comunicar uma ocorrência real'', aponta.


