Trote ainda atrai os estudantes
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quinta-feira, 08 de março de 2001
Érika Pelegrino De Londrina 
Apesar de proibido pelas universidades de Londrina, o trote ainda atrai muitos calouros. Enquanto para uns é vexatório ser pintado, ter os cabelos cortados e ficar pedindo dinheiro nos sinaleiros da cidade, para outros, sem este tipo de trote, entrar na faculdade não tem a mesma graça.
Calouros e veteranos do curso de biologia, da Universidade Estadual de Londrina (UEL) defendem a realização do trote apenas para aqueles que quiserem participar e sem ações de violência. Um dos calouros, apelidado pelos veteranos de Handenson, teve os cabelos longos poupados.
Ele deixou o cabelo crescer durante três anos e não quis cortá-lo. Então, é lógico que nós respeitamos, disse Gisele Lovato, veterana de biologia. Só entra na brincadeira quem quer, garantiu. O veterano Renato Machado afirma que o trote é uma forma de confraternização com os calouros.
Reunidos no Coreto do Calçadão ontem à tarde, os estudantes distribuíam mudas e pediam dinheiro às pessoas que passavam pelo local. Um calouro de educação física, que não quis se identificar, considerou o trote uma espécie de ritual que marca a entrada na faculdade. Faz parte da alegria. Ralei mais de um ano para conseguir entrar na faculdade e, agora que consegui, acho que precisa de algo que marque este momento. Claro que respeitando a vontade de cada um e, óbvio, sem violência.
Outro calouro, que também não quis se identificar, classificou como tradição cortar o cabelo, ser pintado e pedir dinheiro nos pedágios. Mesmo que proíbam, não vão conseguir acabar com isso, diz.
Porém, a recepção das pessoas que são abordadas pelos estudantes nem sempre é favorável. Alguns dão dinheiro e entram na brincadeira. Outros não gostam. A reação depende de cada um, disse Renato Machado. Ele afirma que se não tivesse passado por trote ao entrar na faculdade, teria ficado frustrado. Que graça tem passar no vestibular sem esta festa, questionou.
O trote é proibido pelo regimento da UEL e seus dispositivos regulamentados pela resolução 89/1999. O pedágio também é proibido por ser considerado vexatório. De acordo com a resolução, é proibida qualquer situação que coloque em risco a integridade física e moral do calouro e o coloque em condição de constrangimento.
O coordenador da Coordenadoria de Assuntos Estudantis (CAE), Antônio Carlos Mastine, lembra que diante de denúncia formal, o estudante estará sujeito a responder processo administrativo disciplinar. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) também é contra a prática de trotes.


