Tropeiros chegam ao Paraná para refazer antigo caminho
Vivian de Albuquerque
Os 45 cavaleiros do projeto Tropeiros do Brasil chegaram ontem ao Paraná, juntamente com a geada mais forte registrada neste ano, que congelou a água nas torneiras em muitas localidades do município de Palmas, no Sudoeste . No último dia 3 de junho eles sairam do município de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, com o objetivo de encontrar, no meio do caminho, em São Luiz do Purunã (PR), outra tropa vinda de Sorocaba, em São Paulo. A porta de entrada para o estado paranaense foi Palmas, a 370 quilômetros de Curitiba.
A recepção foi feita ao meio-dia com um churrasco na Fazenda Pagliosa, uma das mais tradicionais da região e grande produtora de erva-mate. Depois de uma visita por outras fazendas do município, os tropeiros ainda participaram de uma típica mateada, antes de se alojarem no CTG de Palmas, onde passaram a noite. O aquecimento, diante de tanto frio, foi feito com muito chimarrão em volta da fogueira.
No passado era assim, e por isso a tradição foi mantida, explicou o chefe de gabinete da Prefeitura de Palmas, Iracy Ribas Filho. Segundo ele, a passagem dos Tropeiros do Brasil pelo município teve um significado muito especial, principalmente para os moradores mais antigos da região, descendentes dos primeiros tropeiros paranaenses.Foram eles que deram iníciaram a colonização de Palmas, explicou.Daqui se levava o gado para a Lapa e União da Vitória. A passagem destes visitantes serve como um resgate da nossa história.
Na sequência, o grupo de aventureiros, que é patrocinado pelos governos dos três estados sulinos, ainda passará pelos municípios de Mangueirinha, Guarapuava, Prudentópolis, Imbituva, Ponta Grossa e Balsa Nova. O trajeto só deve terminar no próximo dia 26, em São Luiz do Purunã.
O caminho dos tropeiros foi feito pela primeira vez em 1732, numa missão chefiada pelo militar português Cristóvão Pereira. O último registro de viagem, em caráter comercial, foi a que saiu de Santo Ângelo em 1954. Sem as mulas e a erva-mate de antigamente, a idéia dos Tropeiros do Brasil é justamente relembrar como era o caminho que partia do território gaúcho, passando por Santa Catarina e Paraná, até chegar em Sorocaba onde existiam os grandes mercados da época.
O professor de matemática Velocino Fernandes, gaúcho que mora em Curitiba, é o organizador desta quarta edição da cavalgada. A única mulher presente nestes primeiros dias de estrada é a advogada Cleusa Dornelles.





