Paulo WolfgangDemoliçãoCohab derruba o barraco trocado por carro: comercialização ilegal Embora ilegal, a comercialização de terrenos em áreas invadidas vem se tornando corriqueira e ontem fez mais uma vítima. O desempregado José Carlos Rolak deu um carro Opala, ano 72, avaliado em R$ 1 mil, em troca de um barraco de alvenaria de apenas um cômodo, construído no fundo do vale do Conjunto Maria Cecília (zona norte de Londrina). Resultado: Rolak ficou sem o carro e sem a casa.
O negócio foi feito com o servente de pedreiro Leandro Martins da Silva, 23 anos, vizinho do barraco. A troca aconteceu na segunda-feira e ontem a Companhia de Habitação (Cohab) demoliu a construção. Segundo Rolak, ele, a mulher e os três filhos - de 11, 6 e 1 ano - estavam morando numa casa próxima ao fundo de vale. Como estava desempregado há muito tempo, colocou uma placa no carro oferecendo-o para venda ou troca.
Paulo WolfgangE agora?Rolak discute com Leandro, que ficou com o carro: negócio proibido
Ele relata que foi procurado por Leandro e fez o negócio sem saber que a área não podia ser ocupada. Desesperado por ter perdido o único bem de maior valor que possuía, José Carlos passou parte da tarde de ontem discutindo com Leandro, que se nega a devolver o veículo. A discussão foi acompanhada por policiais militares.
Morando com a mãe a poucos metros do barraco demolido, Leandro diz que comprou a área de um casal no domingo, por R$ 800,00. Ele garante ter pago em dinheiro. ‘‘Quem vai me devolver o que gastei? Não posso ficar no prejuízo. Se ele (José Carlos) me der R$ 800,00, devolvo o carro’’, comenta. O rapaz afirma não conhecer o casal com quem fez negócio e nem sabe para onde se mudou.
Não é a primeira vez que um barraco erguido no mesmo local é alvo de problemas. A área era ocupada por Lázara Ribeiro de Proença, 70 anos, e um irmão. O barraco era de madeira. Há cerca de dois meses, ela acompanhou o irmão até Curitiba para tratamento médico. Quando retornou, sua casa havia sido ocupada por um casal, filhos de seus vizinhos.
Dona Lázara foi assentada pela Cohab e o barraco de madeira, demolido. Segundo Humberto de Lima, assessor social da Cohab, semana passada uma equipe esteve na área e viu que ahvia sido construída uma casa de alvenaria no lote. ‘‘Havia um casal morando lá e nós comunicamos que eles deveriam sair. Dissemos que íamos voltar na segunda-feira para averiguar’’, conta Humberto. Quando a equipe da Cohab chegou no local, já encontrou José Carlos como proprietário da casa.
Paulo WolfgangDramaAparecida, depois da demolição: ‘Não temos mais o que fazer aqui’Humberto Lima informa que a família de José Carlos será encaminhada para um dos assentamentos da Cohab. Mas, inconformada com a perda do único bem que tinha, a família não quer mais ficar em Londrina. Desempregado há nove meses, José Carlos veio de Araraquara (SP) há dois meses. ‘‘Sou daqui e resolvi tentar a vida na minha terra. Mas as coisas só pioraram.’’
Ele diz ser motorista de ônibus com experiência de 17 anos. Chorando bastante, a mulher dele, Maria Aparecida da Silva, concordava com o retorno para o Estado de São Paulo. ‘‘Nós não temos mais o que fazer aqui.’’
A família havia decidido, ontem, não levar o caso à Justiça. A Cohab, no entanto, irá encaminhar denúncia à polícia para tentar coibir esse tipo de negociação em áreas invadidas.
Ele comenta que há várias informações extra-oficiais de que ocorrem negociações de terrenos em áreas invadidas. Mas normalmente não há provas da negociação. ‘‘No caso específico da família de José Carlos há o carro, que é uma prova de que o negócio foi feito.’’
No fundo de vale do Maria Cecília moram cerca de 80 famílias. A Cohab está fazendo estudo técnico da área para saber quantas famílias poderão ficar no local.

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