Troca movimenta lojas depois do Natal
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sexta-feira, 27 de dezembro de 1996
Elisa Marilia Da Sucursal 
Mesmo depois do Natal, o movimento nos shoppings continua grande. Compras? Não, trocas. A roupa ficou apertada. Desta cor ela já tem. Tentei comprar uma coisa mais jovial para o meu pai e não acertei. Não era bem esse o sapato que eu queria. Este CD ele já tinha. Meu sobrinho cresceu tanto que perdi a noção do tamanho. Essas foram algumas das explicações que os vendedores ouviram desde o primeiro minuto que as lojas abriram.
Vários lojistas se prepararam para manter o estoque depois do Natal. Cada modelo tem que estar disponível em todos os tamanhos e todas as cores. Ontem e hoje os clientes já entram nas lojas com as sacolas cheias e muitos, ainda com um restinho de espírito de Natal, acabam comprando mais alguma coisa.
Muitas vezes a troca tem valor diferente do presente. Nestes casos o cliente tem que desembolsar mais dinheiro ou levar outra mercadoria, para complementar. Na maioria das vezes quem ganhou o presente é que vai trocar, para não correr o risco de errar novamente. Trabalho dobrado, tanto para quem deu o presente quanto para quem vendeu.
Duas bolsas A nora do juiz de direito Marcos Fanchin caprichou no presente mas esqueceu o tamanho dos processos que o sogro carrega. A pasta que ela deu é do tipo que fecha com uma aba e a que ele precisa tem que poder ficar aberta senão a papelada não cabe.
Era isso mesmo o que eu estava querendo mas o modelo é que não serviu, se justifica. Para ajudar a escolher, o juiz levou a mulher Ilze para a loja. Ela acabou ganhando uma bolsa do marido. Presente fora de hora mas bem recebido. A vendedora da loja já estava preparada. Até o final do ano vai ser isso, só trocas, disse desanimada Débora Regina Campos.
O erro no presente do professor Miguel Padilha foi no tamanho da carteira. Ganhei uma muito grande para colocar no bolso de trás da calça, se a carteira ficar aparecendo vira uma isca para os batedores. Vou levar essa menor e ainda sobrou dinheiro para um cinto, conta satisfeito.
Carmen Lúcia Weiss comprou uma bolsa praticamente igual à que a nora, que mora em São Paulo, já tem. Ela queria trocar por uma preta mas não encontrou o modelo exato. Neste caso nós encomendamos para nossa matriz e em dois dias a bolsa estará aqui. O pedido vai por computador e o tempo de espera é só do transporte, garante o gerente Sibelius Borges de Carvalho.
A mãe e a avó de Fernanda Scandelari Malinowski, de dez anos, acompanharam a menina na troca do sapato. Agora vamos garantir que ela leve exatamente o que gosta, disse tranquila.
Paciência A troca de presentes por problemas diversos depois do Natal também torna os vendedores das lojas especialistas em perfis de consumidores. É o que contam alguns dos vendedores de shoppings da cidade. Tem muita gente complicada. Mulheres que não acertam o tamanho do marido. Fazem um vendedor experimentar, perguntam para um cliente o número dele e ainda assim levam errado. A gente tem que ter paciência porque nessa época assim mesmo, confidencia um gerente que preferiu não se identificar.
Comprei três bermudas para o meu pai que tem 60 anos, todas estampadas. Queria dar um presente mais jovem mas estou trocando todas por modelos lisos. Não adiantou, desanima Luciano Souza Ferreira.
A maioria confirma que deixou para comprar os presentes na última hora e a correria foi grande. Mas algumas lojas acabam promovendo a correria que elas mesmo criticam, porque dão um prazo de 30 dias para as trocas. Se a gente comprar com antecedência, não pode trocar, disse Silvia Aguiar.


