Curitiba - Uma troca de tiros digna de cena de filme policial assustou os moradores do Cajuru domingo de manhã em Curitiba. O confronto, que durou 40 minutos, envolveu duas gangues rivais e 40 homens do 20º Batalhão da Polícia Militar. De acordo com a polícia, mais de 500 tiros foram disparados. Duas pessoas foram mortas, duas ficaram feridas e outras duas foram presas. Estas, e as vítimas, teriam passagens por homicídio, assalto e tráfico de drogas, segundo a PM. Nenhum policial ficou ferido. Os dois baleados estão internados no Hospital Cajuru. Um deles, que não participou do tiroteio, ficou ferido gravemente.
Um policial, que preferiu não se identificar, diz que ''é questão de tempo para que um novo confronto aconteça no local''. Segundo ele, ''a troca de tiros estava acontecendo a semana inteira. A guerra acontece por pontos de tráfico''. Até domingo, porém, a polícia não havia surpreendido nenhuma vez os dois grupos se enfrentando. Ao chegar no local, os policiais ficaram no meio da troca de tiros entre os criminosos. As facções passaram a disparar entre elas e contra o carro da polícia, que precisou pedir reforços.
O armamento utilizado pelos criminosos era pesado. Entre as mais de 500 cápsulas recolhidas no local, havia munição de pistola .40, e outras armas de calibres 38 e 380, além de fuzil 762.
Um morador da Vila Trindade, no bairro Cajuru, que preferiu não se identificar, afirma que o lugar é esquecido pelas autoridades. Ele e sua mãe se esconderam, agachados em casa, enquanto bandidos e policiais trocavam tiros. ''Eles vão nos clubes e brigam. Isso que aconteceu aqui foi vingança'', explicou o morador. O portão da casa na frente da dele está cravejado de balas. ''Uma semana antes atiraram aqui por engano'', disse.
Na Vila Trindade, quando se pergunta sobre o tiroteio, ninguém fala no assunto. ''O cara que fala menos vive mais aqui'', alerta outro morador, que reside na região há 12 anos.
Questionado se ouviu os tiros, um comerciante responde com a simplicidade de quem está acostumado com o som do estampido.''Meia hora de tiro, quem não ouve?''.
Ainda assustadas, duas moças contam o que viram na manhã de domingo: ''Ele (um dos bandidos) subiu no telhado aqui de casa e nós duas ficamos agachadas no chão. Ele acabou tomando um tiro e caiu do telhado dentro de casa'', diz uma delas. A outra conta que o rapaz caiu em cima da amiga. ''Acontece sempre aqui. A gente sai correndo. Sempre tem tiroteio, mas não como ontem''.
A Polícia Militar informou que deve se manifestar em nota oficial, hoje, depois de avaliar melhor as circunstâncias do confronto.

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