Troca de sistema tumultua antigo Sine
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quinta-feira, 01 de dezembro de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem 
Está mais difícil e demorado dar entrada no seguro desemprego ou cadastrar dados em busca de uma vaga no mercado de trabalho desde a troca do sistema on-line de atendimento nas Agências do Trabalhador (antigo Sine). E o problema atinge todo o Estado. O novo sistema, desenvolvido pela Celepar, teria a finalidade de agilizar as atividades nas agências, mas está fazendo justamente o contrário. Em Londrina, o trabalhador esperava de 15 a 30 minutos para ser atendido. Desde o dia 21, esse tempo pulou para cerca de 1h30 de fila, sem contar o risco de ter que voltar outro dia.
Sem condições de suportar a demanda, a agência de Londrina fechou ontem as portas ao meio dia. De acordo com o gerente da agência em Londrina, Mauro Viecili, desde a entrada da nova tecnologia o atendimento na agência e no guichê instalado no Terminal Coletivo caiu mais de 50%. ''Nossa média de atendimento era de cerca de 700 pessoas. Hoje, com a lentidão do sistema, não conseguimos atender nem metade disso'', contou. Na terça-feira, 120 pessoas tiveram que voltar pra casa de mãos abanando. Houve protesto e o gerente teve que usar de diplomacia para apaziguar os ânimos. ''Cheguei a ser ameaçado, mas é compreensível porque tá difícil conseguir um emprego. A pessoa fica a tarde inteira aqui e escuta no final do dia que não será atendida'', ponderou.
A agência distribuiu senhas especiais priorizando o atendimento das pessoas prejudicadas pelo problema. ''De vez em quando, o sistema trava de vez. Isso já aconteceu duas vezes nessa semana'', afirmou. A situação impede ainda o recrutamento de pessoal. ''Tenho 150 vagas aqui, mas não consigo fazer o encaminhamento'', lamentou. Segundo o gerente, os funcionários da agência darão atenção preferencial a portadores de senha. ''Queremos zerar atendendo todo mundo que ficou pra trás. E não temos condições de fazer isso sem fechar as portas'', argumentou.
Viecili diz que as pessoas precisam ter paciência e aguardar o problema ser resolvido. ''Estamos fazendo o possível e encaminhando os processos de forma gradativa''.
Paciência é o que a vendedora Camila Krainsk, de 23 anos, mais teve nos últimos dias. Desempregada há um mês, ela ficou, na segunda-feira, 40 minutos só para conseguir sua senha. Também não conseguiu dar entrada no seguro desemprego na terça. ''Espero ser finalmente atendida hoje (ontem)'', afirmou. Camila lamenta que isso tenha acontecido logo no final de ano. ''Tem mais emprego nessa época. A gente precisa ajudar em casa e fica essa lentidão. Fica complicado''.
O garçom Ronaldo dos Santos, 26, também ficou indignado quando ouviu dos funcionários que teria que voltar outro dia. Na terça, passou o dia inteiro na fila. ''Sou casado e ela também está desempregada. Espero arrumar alguma coisa o mais rápido possível''. Ontem, até as 11 horas da manhã, de acordo com o gerente, somente 47 pessoas foram atendidas.


