Londrina – A Programação Pedagógica do 34ª Festival de Música de Londrina (FML) reúne cerca de 900 alunos de vários estados do País. A troca de experiências é apontada pelos participantes como o principal atrativo do festival. No período de recesso escolar, quase todas as salas do Colégio Mãe de Deus (centro) são ocupadas pelos alunos e seus instrumentos.
Enquanto no último andar as potentes vozes do canto lírico escapam pela janela, as escalas de violinos são maioria no térreo. Mas não só do erudito sobrevive o festival. No pátio, em momento de descontração, alguns estudantes do Piauí se reuniam em uma rodinha de violão. Os clássicos da indefectível Legião Urbana não poderiam ficar de fora. Quem transitava pelo prédio tinha a sensação de que cada passo correspondia a uma mudança de estação no rádio ou na lista do MP3, para os mais jovens.
Ruth da Silva Santos, de 23 anos, faz parte do grupo de 30 alunos do Piauí que levou três dias para chegar a Londrina. O ônibus saiu de Teresina na quinta-feira e a viagem só terminou na noite de sábado. Para ela, o esforço será recompensado. "O nível dos professores é muito bom. O músico tem que buscar se aprimorar. Isso demanda comprometimento", ressaltou. O colega e tecladista Samuel Santiago, 22 anos, contou que a maioria do grupo participou da edição retrasada do festival. "Cada vez é diferente, você aprende técnicas novas", frisou.
Como cada aluno pode participar de mais de um curso, ao todo foram registradas 1,5 mil inscrições. De acordo com a organização do festival, são 52 professores, alguns da Alemanha, Cuba e Estados Unidos. No colégio fundado em 1936 por freiras alemãs pertencentes à Ordem Schoenstatt, os músicos da Alemanha pareciam estar em casa. No chão do pátio, uma emblemática pista de amarelinha com as palavras "Himmel" e "Hölle" (Céu e Inferno) chamou a atenção de Gustav Frielinghaus.
As aulas dos professores alemães são conduzidas em inglês. O aluno e violinista Victor Terra, de 18 anos, faz a tradução para os colegas que precisavam de auxílio. "A linguagem da música é universal, o que ajuda bastante, mas sempre há algum ponto que a tradução é importante".
Outra professora "importada" pelo festival é a norte-americana Janet Grice, de Nova Iorque. Há sete anos ela participa do FML ensinando lições de fagote, o mais grave instrumento de madeira da família dos sopros. O músico londrinense Jonathas Moreira, de 20 anos, já domina o violão sete cordas e agora se empenha para tocar o fagote. "É um instrumento caro, difícil, por isso é menos comum. É preciso muita determinação para se atingir um bom nível", disse Janet.

HOSPEDAGEM
Aluno de violão clássico, João Henrique Yamamoto, de 18 anos, é de Assaí, distante 50 quilômetros de Londrina. A viagem parece pequena comparada a dos colegas, porém pelo ritmo intenso das aulas, ele contou que não seria possível ir e voltar todos os dias. Yamamoto ganhou hospedagem na casa do amigo Daniel Loureiro, filho de músicos da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel). Para aqueles que não tinham parentes ou amigos em Londrina, a organização do festival criou a campanha "Adote um Músico". "Esse apoio é muito importante para nós", reconheceu Yamamoto.

SERVIÇO
O Festival de Música de Londrina segue até o dia 19 deste mês. Além do Colégio Mãe de Deus, as aulas da programação pedagógica ocorrem no Sesi e no Cine Com Tour. Confira a programação completa no site www.fml.com.br .

mockup