Troca de experiências
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quinta-feira, 31 de março de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
A menina cheia de expectativas retornou mais madura. A definição é de Manuel Valente, referindo-se à filha Manuela, 17 anos, que voltou recentemente da viagem que fez aos Estados Unidos, por meio do programa Jovens Embaixadores. Diferenças na educação brasileira e norte-americana e a questão do voluntariado chamaram a atenção da jovem londrinense.
Antes de voar rumo a Washington, ela e os outros 34 participantes do programa ficaram três dias em São Paulo aprendendo sobre as diferenças culturais. Manuela disse que os jovens formaram uma família já que todos têm estilos de vida semelhantes. Para participar do programa é necessário estudar em escola pública, ter boas notas, fazer trabalho voluntário, nunca ter viajado ao exterior e ter fluência na língua inglesa.
Após muitas horas de voo, no desembarque em Washington, a primeira surpresa do grupo: neve. ''É incrível. Tinha gente que pensava que era igual algodão, alguns chegaram a comer a neve'', disse Manuela. Depois vieram várias surpresas, uma após a outra. A londrinense destaca os passeios e o encontro com a Secretária de Estado, Hillary Clinton. ''Seríamos recebidos pela primeira-dama Michelle Obama, mas ela estava viajando. A Hillary foi perfeita, nos recebeu muito bem'', disse.
O grupo de brasileiros se dividiu em seis e cada um seguiu para um estado. Os jovens ficaram hospedados em casas de família e tiveram todas as despesas pagas pelo governo norte-americano. Na mala, Manuela levou fotos de Londrina e um material cedido pela Câmara de Vereadores. ''Os norte-americanos tinham muita curiosidade sobre a minha cidade. Quando eu mostrava a foto de Londrina com tantos prédios, ficavam todos impressionados'', afirmou.
Manuela frequentou a escola local por vários dias e matou a curiosidade sobre a educação no país. ''Eles têm aulas de fotografia. São apenas seis matérias por ano e ainda podem escolher algumas disciplinas. É muito diferente'', comentou, animada.
Outra questão que chamou atenção foi que a maioria dos norte-americanos faz trabalho voluntário. ''Eles aprendem isso na escola. Descobri que existem muito mais caminhos do que pensamos. Lá eu vi como as coisas podem funcionar de uma forma melhor. O limite não é a nossa comunidade, a cidade em que vivemos, o Estado, nem mesmo o nosso país. Nosso limite é o mundo. Se todos tivessem consciência e ajudassem o próximo, tudo seria diferente, poderíamos fazer muitas mudanças'', definiu.
Ao todo a viagem, realizada em janeiro passado, durou 22 dias. Os quatro últimos foram para encerramento do projeto. Para Manuela o embarque de volta para casa foi difícil. ''Até aquele momento, o maior objetivo da minha vida era a viagem. Parecia que um sonho estava acabando, que estava faltando alguma coisa, ficou um buraco'', afirmou.
Firmeza
Agora no Brasil, Manuela dá conta das duas faculdades, das aulas de balé e do trabalho voluntário na creche do bairro. ''Está difícil por conta do tempo, mas não vai ser isso que vai me impedir de continuar o voluntariado. Também quero começar a dar aulas de inglês para crianças carentes'', garantiu. As roupas de neve que Manuela trouxe na mala viraram doação. ''Os meus amigos do Nordeste e do Norte me deram os casacos. Fiquei com o meu e levei os demais para Santa Catarina. Estive numa fazenda e entreguei às famílias de colonos. Eles ficaram realmente felizes e isso me motiva a continuar'', concluiu.
Sandra, a mãe da Manuela, disse que a filha voltou mais motivada. ''Percebi que ela está falando com mais firmeza. Veio sonhando mais alto. Fala que precisa estudar porque tem muito o que fazer pelos outros. A Manuela acha que foi através do apoio de muita gente que conseguiu alcançar esta meta e veio se sentindo na responsabilidade de retribuir tudo isso para a comunidade.''


