Troca de corpos causa confusão em velório
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quarta-feira, 03 de agosto de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba A família do agricultor Edson Sampaio da Cunha, 79 anos, morto na última terça-feira no hospital Evangélico, em Curitiba, vítima de infarto, teve uma surpresa desagradável no início do velório. Quando o caixão foi aberto, por volta das 21 horas, havia o corpo de uma outra pessoa no lugar. E o que é pior. A troca aconteceu com o corpo do aposentado Pedro Ambrósio, 74 anos, que morreu no mesmo dia no Envagélico e que iria ser velado em Umuarama. Quando a família de Curitiba se deu conta da troca, Cunha já estava sendo levado para o interior e a confusão só terminou às 6h30 de ontem na Capital e sete horas depois deste horário em Umuarama.
''Isso demonstra no mínimo um despreparo das pessoas que fazem este tipo de trabalho. É inadmissível que haja troca entre pacientes que já estavam internados no hospital. Isso é mais uma prova do sucateamento do sistema público do saúde. O hospital tem que zelar por essas coisas'', reclamou o genro de Cunha, Norberto Ortigara. ''Quando vimos o erro fomos ao hospital e daí foi um corre-corre atrás do corpo certo. Ele já estava em Mandaguari (33 quilômetros a leste de Maringá).'', contou Ortigara. A família do agricultor esperou por 10 horas para começar a velar seu parente.
O Hospital Evangélico alegou que o problema aconteceu porque um neto e uma neta de Ambrósio reconheceram o corpo errado. Segundo o hospital, o reconhecimento é praxe quando o corpo vai ser lavado para outra cidade. Ainda de acordo com a direção do hospital, o neto saiu junto no carro funerário e que, quando acionado no meio do caminho, ele constatou que estava com o corpo errado.
A família de Ambrósio negou a versão do Evangélico. ''Meus sobrinhos reconheceram o avô. Eles olharam para o avô e não para outro. Era impossível eles errarem. Eles estavam com o avô doente no hospital. Deve ter sido algum erro na hora de colocar no carro funerário'', alegou a filha de Ambrósio, Luzia Ambrósio de Oliveira. ''Nossa família não tem culpa.'' Em princípio, o custo do transporte de volta para Curitiba e depois de volta para Umuarama seria da família de Ambrósio. Porém, Luzia afirmou que o caso será discutido entre a família.


