Lino Ramos
De Londrina
A Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) pretende fazer um mapeamento da arborização da cidade de Londrina na tentativa de amenizar os acidentes com a queda de galhos em dias de chuva e vendavais. O último acidente registrado no centro de Londrina ocorreu terça-feira na rua Minas Gerais, próximo à rotatória com a alameda Manoel Ribas e quase provocou uma tragédia. A ex-diretoria da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) já previa um plano de arborização mas o projeto acabou não sendo executado.
Em junho deste ano a responsabilidade pela arborização da cidade passou à Comurb e segundo o diretor de manutenção e serviços da Companhia, Humberto Rodrigues de Lima, a execução do serviço depende da contratação de um corpo técnico, composto de agrônomo, geólogo e biólogo, mas esse processo está em fase de recurso de candidatos reprovados.
A estimativa inicial é que existem 310 mil árvores espalhadas pelas ruas da cidade. ‘‘A maior parte das árvores são velhas ou inapropriadas. A tendência é substituirmos a longo prazo para não ferir a arborização da cidade’’, explicou Lima. Segundo ele, foram plantadas muitas sibipirunas na área urbana, inadequadas em razão do porte que atingem. ‘‘É um tipo de árvore desaconselhável para a área urbana. Fica muito grande e temos em excesso’’, explicou. Para o diretor de manutenção e serviços, oiti, patas-de-vaca e ibisco seriam espécies mais adequadas.
Pelas informações preliminares obtidas pela Comurb, em várias regiões de Londrina existem árvores com mais de 11 metros de altura causando problemas em cabos elétricos e telefônicos, além de troncos ocupando até 70% das calçadas. Humberto de Lima explica que a maior parte dos 80 pedidos mensais recebidos pela Comurb é para a erradicação de árvores, mas somente 15% das solicitações têm procedência.
Na terça-feira, por volta das 18 horas, na Rua Minas Gerais, o aposentado Manoel Bezerra da Nóbrega, 66 anos, o ‘‘Paraíba’’, escapou de um grave acidente, quando um grande galho despencou de uma árvore com mais de 11 metros de altura. Ele contou que havia chovido até 13 horas mas na hora em que o galho despencou nem ventava. ‘‘Só vi quando o galho bateu em mim’’. O vendedor de frutas Serafim Sevidanes, 67 anos, disse que o amigo escapou da morte porque não foi atingido pelo tronco. ‘‘A rama verde passou raspando o rosto dele, se fosse o tronco teria matado’’, comentou.
Para o vendedor, a grande árvore plantada em frente a uma agência bancária não oferece perigo. ‘‘Acho que a árvore não tem problema mas o perigo são os galhos em dia de chuva e vento’’. Manoel Bezerra da Nóbrega conta ainda que na mesma rua existem pelo menos três grandes galhos ameaçando despencar. O perigo está em frente ao prédio da Associação Comercial e Industrial de Londrina e junto a um ponto de táxi. Além das árvores inadequadas e velhas, os cupins também costumam trazer problemas para a arborização irregular de Londrina. Mas segundo Humberto de Lima, não há muitas reclamações sobre árvores atacadas pelos cupins.Comurb pretende fazer um mapeamento da arborização de Londrina
César AugustoComurb estima que há nas ruas de Londrina 310 mil árvores e que boa parte delas precisa ser substituída porque estão velhas ou inapropriadas. Mas o trabalho depende da contratação de agrônomo, biólogo e geólogo