O próximo domingo não vai ser de muita comemoração para O.T., 13 anos e E.T., 15. Pela primeira vez os meninos vão passar o Dia das Mães longe da artesã E.G., 43 anos, presa no 3º Distrito Policial (DP) desde janeiro, quando foi deitda, junto com o companheiro, por tráfico de drogas. No dia da prisão, o marido assumiu a responsabilidade sobre as 190 gramas de maconha enterradas no quintal da casa. O testemunho dele, entretanto, não a livrou.
A prisão é o último capítulo trágico da vida dos meninos que cresceram presenciando a violência do pai contra a mãe e o posterior envolvimento dela com um usuário de drogas. ''Uma vez esse aqui, desesperado, chegou a pegar uma faca e ir para cima do pai com medo que ele matasse minha filha de tanto bater'', conta a avó, apontando para o neto mais velho, na época uma criança.
Depois da separação dolorosa, o pai nunca mais apareceu e a mãe encontrou um novo companheiro. Foi através dessa ligação que conheceu a cadeia. Essa é a segunda vez que ela vai para a prisão pelo vício alheio. Em 2001, E. foi presa sob as mesmas acusações mas absolvida. ''Minha filha nunca teve sorte no amor'', resigna-se a avó das crianças.
O conturbado ambiente familiar que os meninos conhecem não esmoreceu o amor dos dois pela mãe. Desesperado com a prisão, O.T. vendeu uma calça jeans e um cinto para pagar um advogado para mãe. Conseguiu juntar R$ 70 e a admiração do advogado Hamilton Laertes, que pegou o caso gratuitamente. Emotivo, durante toda a entrevista o menino se esforçou para conter as lágrimas. O.T. só quer ver a mãe de volta em casa. ''Minha mãe não fez nada'', argumenta.
Enquanto o processo da mãe não anda, os meninos se arrumam como podem para manter a casa e pagar as contas. O mais novo está morando com a avó mas o mais velho se recusa a abandonar a casa, na Zona Norte. Tem medo que, a exemplo do que ocorreu da outra vez que a mãe esteve presa, a casa seja arrombada.
Com responsabilidade de adulto, ele continua estudando e arrumou um emprego de meio período em uma serralheria onde ganha cerca de R$ 150. ''Dá para pagar as contas atrasadas. A gente vai se virando'', afirma.
Segundo o advogado Laertes Hamilton, a defesa já pediu à Justiça a retirada das acusações contra a artesã. Ele argumenta que, no próprio boletim de ocorrência, lavrado pela PM, consta que o companheiro assumiu ser o proprietário da droga. Contudo, segundo ele, a Justiça só dará uma decisão depois de ouvir o marido em juízo. O depoimento ainda não foi marcado.

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