Tristeza em bairro de Londrina: quatro moradores estão mortos
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sábado, 16 de novembro de 2002
Renê Muller<br> Reportagem Local 
O horror e a tristeza podiam ser sentidos no ar abafado que pairava sobre o Jardim Maria Lúcia, zona oeste de Londrina, na manhã de ontem. As quatro primeiras vítimas a falecerem no acidente do ônibus da Jataitur moravam no bairro. Elas tomaram o segundo ônibus de uma excursão que rumava para Guaratuba. Suas residências ficavam poucos metros uma da outra. Após as primeiras informações, muitos amigos, parentes e vizinhos reuniram-se na casa do servente de pedreiro Francisco Gomes de Souza, 50 anos.
O que se via ali, no número 864 da Rua Antônio Capello, era o desespero, aliado com a falta de informações. Abatido e emocionado, Francisco lembrava dos 26 anos de casamento com a diarista Geralda Alves de Souza, que morreu a caminho do hospital. O casal ia pagar R$ 200,00 pela viagem ao Litoral. Conheceriam a mar. ''Uns três dias antes, tive um pressentimento de que não devia viajar. Tentei convencê-la, mas ela não quis saber de desistir'', lamenta.
Na quinta-feira à noite, quando o ônibus saiu da frente da igreja local, Francisco torceu para que a mulher tivesse mudado de idéia. Chegou em casa, e viu que ela não estava mais lá. Segundo o filho caçula Márcio, 23 anos, Geralda trabalhava muito e gostava de viajar: ''O dinheirinho que suava para ganhar, ela gastava em excursões''.
A poucos metros, no número 1085 da Avenida Vicente Bocuti, a tristeza também estava estampada na face da família Raposo. Dois entes queridos partiram no acidente. A auxiliar de costura Márcia Aparecida Raposo estava em festa: ia comemorar seu 32º aniversário neste domingo, na praia. Morreu no acidente junto com a avó Sirene dos Santos Dias, 75. Dona Sirene viera na quinta-feira de Bandeirantes, para partir com a neta e a filha, a diarista Maria Zélia Raposo, 56, rumo a Guaratuba.
Rosilene Aparecida da Cruz Raposo, nora de Maria Zélia, diz que o ano não tem sido fácil para a sogra. Primeiro, ela perdeu o marido, o funcionário público Antônio Raposo, 62 anos, atropelado na Avenida Tiradentes (zona oeste de Londrina), em janeiro. ''Agora, ela viu a mãe e uma filha morrerem ao seu lado. Ela está em choque'', conta a nora.
A terceira casa de vítima moradora do Jardim Maria Lúcia, o menino Gustavo José Reis Oliveira Martins, 9 anos, estava fechada. Segundo uma vizinha, toda a família viajou junto com o garoto.


