Tripulação do Legacy diz que sentiu impacto
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domingo, 01 de outubro de 2006
Sônias Filgueiras<br> Agência Estado 
Brasília - Sentiram um impacto, ouviram um barulho e nada viram. Depois, olhando pela janela, verificaram a existência de pequenas avarias. Este é, segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, o resumo dos depoimentos da tripulação (piloto e co-piloto) e dos cinco passageiros do Legacy 600, da Embraer, que colidiu com o boeing 737-800 da Gol, na sexta-feira, no norte do Mato Grosso, com 155 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes.
Recém comprado pela empresa Excel Air Services, o Legacy partiu de São José dos Campos, em São Paulo, com destino aos Estados Unidos e escala prevista em Manaus. Conforme o relato da tripulação do jato - seis americanos e um brasileiro - as consequências da colisão com o Boeing se resumiram a um certo desequilíbrio na aeronave, logo controlado, e danos em duas peças: o aprofundador, localizado na cauda do avião, e o mindlet, situado na ponta da asa esquerda e cuja função é auxiliar na estabilidade do aparelho. ''Eles relatam terem sentido um impacto e deduziram que podiam ter colidido com outra aeronave, mas dizem não ter visto nada'', diz o delegado Anderson Garcia, que tomou o depoimento do piloto do avião, Joe Lepore, e do co-piloto, Jan Palladino.
Por determinação da Polícia Civil do Mato Grosso, os sete depuseram anteontem durante toda a noite em Cuiabá, no âmbito do inquérito civil que apura as causas do acidente. Segundo Anderson Garcia, a decisão de pousar na base militar da Serra do Cachimbo logo após a colisão foi uma ''precaução'', diante das avarias detectadas no avião, visíveis pelas janelas. ''Foi um dano pequeno, segundo eles'', explicou Garcia. Os dois tripulantes afirmaram que a aeronave, que fora comprada dias antes na fábrica da Embraer em São José dos Campos, possui equipamento anti-colisão - um dispositivo que identifica a aproximação de outra aeronave, mas por um motivo desconhecido, o alarme não disparou. Piloto e co-piloto também informaram que a rota que seguiam, a 37 mil pés de altitude (aproximadamente 10 km), foi autorizada pela torre de controle de São José dos Campos e que não se desviaram dela.
Todos foram ouvidos como vítimas do acidente. A polícia do Mato Grosso vai requisitar o plano de vôo do Legacy, arquivado na torre de controle do aeroporto de São José dos Campos; vai analisar o conteúdo da caixa preta das duas aeronaves, que trazem todos os registros de alterações ocorridas durante os dois vôos; e periciar a aeronave, que está retida na base militar da Serra do Cachimbo. Os resultados serão confrontados com os depoimentos. ''Vamos checar. Se ficar comprovado que houve negligência, imprudência ou imperícia, piloto e co-piloto poderão ser enquadrados no crime de homicídio culposo'', explicou o delegado Garcia, que também é chefe da inteligência da polícia civil do Mato Grosso. O prazo para conclusão do inquérito é de 30 dias, mas pode ser dilatado.


