Ibipor㠖 Quem dirige diariamente pelas maiores cidades da Região Metropolitana de Londrina (RML) já se acostumou com o trânsito engessado pelos semáforos, mal necessário para organizar a frota de veículos que não para de crescer. Ibiporã, no entanto, é uma exceção. Sem um único semáforo, o fluxo segue satisfatório nas principais avenidas, mas em compensação os motoristas e pedestres que pretendem cruzá-las encontram dificuldades. O problema se acentua nos horários de pico.
O município de 51,2 mil habitantes, viu a frota crescer em 51% nos últimos cinco anos. Em dezembro de 2008, havia 17.298 veículos emplacados na cidade. Em dezembro do ano passado, este número saltou para 26.147. O crescimento está acima da média estadual, que foi de 41,3% no mesmo período. Além dos próprios veículos, Ibiporã absorve a frota flutuante dos municípios vizinhos. Segundo cálculos da Prefeitura, o fluxo diário supera os 30 mil veículos.
O ponto de táxi em frente à Igreja Matriz serve como termômetro para avaliar as opiniões divergentes sobre o semáforo. O taxista Geraldo Francisco Araújo, de 51 anos, acredita que a estratégia das rotatórias está funcionando, mas que algumas mudanças precisam ser feitas. "A rotatória é boa, mas é necessário instruir melhor a população, pois muita gente não sabe usá-la", opinou. Já o colega de profissão, Waldemiro de Araújo, de 70, acredita que passou da hora de instalar semáforos nos cruzamentos mais críticos. "Não dá mais, além do transtorno está ficando perigoso", reclamou.
Na região central, a reportagem constatou que o gargalo se encontra principalmente nos cruzamentos da Avenida Paraná com as ruas Dom Pedro II e José Bonifácio, e entre a Avenida Santos Dumont e Rua Oswaldo Cruz. "Já presenciei acidentes graves aqui na Avenida Paraná e acho que um semáforo ajudaria, sim. Daria mais segurança aos pedestres", defendeu a vendedora Gislaine Machado. O entregador de móveis Willian do Nascimento, de 22, também cobrou melhorias no trânsito local. "Quando viajo para outros cidades sinto a diferença. Não sei se o semáforo é melhor, mas que precisa melhorar, precisa", comparou.

Binário
A arquiteta do Município, Claudione Bruschi de Menezes, explicou que como todas as ruas têm sentido duplo e alguns cruzamento têm até seis aproximações, o semáforo seria inviável. "Não é a melhor saída, pois o semáforo só funciona com o sistema binário", explicou, referindo-se ao modelo de trânsito que adota sentido único em vias de mão dupla. O prefeito José Maria Ferreira (PMDB) confirmou a intenção de adotar o sistema binário, mas rechaçou os semáforos. "Nossas cidades foram mal planejadas, com ruas acanhadas. Então o sistema binário, que pretendemos adotar até o fim do ano, é necessário, mas acredito que não haja espaço para semáforos".
Para o prefeito, a instalação de rotatórias se mostrou mais eficiente. "O segredo está na combinação de rotatórias e educação no trânsito. O semáforo demanda custos mensais que não são interessantes para a administração". Ferreira adiantou que pelo menos mais cinco rotatórias serão instaladas ainda este ano.
O trânsito em Ibiporã não é municipalizado nem tem diretoria específica. Ferreira explicou que o projeto já está em andamento, mas só deve sair após a recuperação asfáltica. "Além de replanejar os sentidos, vamos regulamentar estacionamentos, reforçar sinalizações, mas não vou fazer nada antes de arrumar o asfalto". Segundo ele, a prefeitura tem dinheiro em caixa para parte das obras, mas espera a liberação de um empréstimo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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