Gabriel Trindade, presidente do sindicato dos vigilantes há 14 anos, negou ontem que tivesse responsabilidade sobre as irregularidades denunciadas. A respeito da festa na boate, ele reafirmou que os participantes fizeram um rateio para pagar as despesas, mas que Noé Moreira teria feito o pagamento com um cheque do sindicato.
''No último dia do processo eleitoral daquele ano, deixei vários cheques com minha assinatura com valores em branco para que fossem pagas despesas do sindicato. O então tesoureiro usou um deles para pagar a festa'', disse. ''Agora, sobre a auditoria, se ele (Moreira) disse que foi ele quem iniciou, mentiu, porque fui eu que pedi. Ele sabia das irregularidades, porque a movimentação financeira era responsabilidade dele''.
Trindade também negou que teria fraudado a eleição de 2002. ''Eu era apenas candidato. Havia uma comissão eleitoral independente, formada por pessoas de fora do sindicato'', explicou. Sobre a queixa da Maximu's Saúde, o presidente afirmou que não tinha informações sobre o problema. ''O convênio de saúde era administrado por uma funcionária da diretoria. Eu não me envolvia no assunto'', justificou.
A respeito da alegação de que utilizaria o carro do sindicato sem ter habilitação, Trindade disse que usou o veículo apenas em ''situações emergenciais''. ''Foram casos em que companheiros do sindicato precisaram de ajuda. Eu não podia negar auxílio'', explicou.
O presidente também negou que sua situação estaria irregular e que teria feito ameaças de morte ao ex-delegado. ''A empresa em que eu trabalhava encerrou atividades, não faliu. Mas mesmo assim eu teria direito de permanecer porque estou dentro do mandato. E nunca ameacei ninguém. Nem gosto de arma de fogo, a única vez em que portei uma foi quando trabalhei num banco''.

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