Trilhos não separam fiéis
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de setembro de 1997
Agência Folha 
Os quatro padres da paróquia Nossa Senhora das Vitórias, em Porto União (SC), têm que enfrentar 80 quilômetros de estrada de terra sempre que precisam conversar pessoalmente com o bispo da Diocese de Caçador (SC), à qual pertencem. A diocese da cidade-irmã União da Vitória (PR) fica a apenas 500 metros - asfaltados - da paróquia. Por esse motivo, a proposta de unificação está sendo bem recebida também pelo pároco de Porto União, frei Alcides Cella, 65.
Segundo ele, os freis de Porto União viajam pelo menos cinco vezes por ano até Caçador para participar de seminários e encontros religiosos e receber orientações do bispo. Os outros assuntos são discutidos por telefone. Ele disse que é comum os freis de sua paróquia celebrarem missas e até casamentos em União da Vitória, quando algum padre de lá não pode. Frei Alcides contou que muitos fiéis do lado paranaense atravessam os trilhos e assistem às missas na paróquia catarinense porque, segundo ele, os franciscanos são mais abertos para determinados temas. O padre Antônio Bortolini, 71, da paróquia de São Cristóvão e Nossa Senhora da Salette, em União da Vitória, confirmou que segue uma linha mais tradicional. Em Porto União, segundo ele, a orientação é voltada ao social.
Mas os fiéis frequentam as missas igualmente em Porto União e União da Vitória, afirmou o padre Antônio. Ele disse que os cursinhos para noivos, por exemplo, são dados um mês em cada cidade. O padre também é favorável à fusão dos municípios, mas acredita que problemas políticos vão atrapalhar os planos dos moradores. Creio que a unificação não interessa ao governo do Paraná nem ao de Santa Catarina, afirmou.


