Apesar do acidente registrado no último sábado, uma fiscalização preliminar realizada ontem pelo Ministério dos Transportes constatou que a malha ferroviária que corta a Serra do Mar encontra-se em boas condições de manutenção. O laudo oficial deve ser divulgado em 15 dias, mas a constatação reforça a versão da empresa América Latina Logística (ALL), que defende a tese de sabotagem para justificar o descarrilamento do trem em Morretes, no litoral do Estado. Mesmo assim, a empresa pode ser multada ou receber uma advertência do governo federal.
O chefe da divisão do Departamento de Transportes Ferroviários do ministério, Luiz Fernando Fonseca, responsável pela fiscalização, disse que esse trabalho de verificação dos trechos é feito anualmente. No caso do Paraná, explicou, a fiscalização foi antecipada por conta dessa ocorrência na Serra do Mar. Fonseca também garantiu que o número de acidentes com a ALL não é nada exagerado e está dentro de um índice aceitável.‘‘Não podemos usar apenas números absolutos mas sim todo o conjunto de condições em que opera a empresa’’, disse Fonseca.
O trabalho de verificação, no entanto, se restringiu ao trecho onde ocorreu o último acidente. Fonseca retorna hoje para Brasília, sem vistoriar os demais trechos administrados pela ALL que foram palco de nove acidentes neste ano.
Para avaliar a gravidade do acidente, segundo os padrões do ministério, são levadas em consideração o tempo de interdição do trecho (acima de 12 horas é considerado grave); a morte de pessoas; a perda patrimonial acima de R$ 1 milhão, além do impacto provocado no ambiente.
A população que vive à margem do Rio Caninana, atingido pelo óleo derramado no acidente, começou a receber desde ontem cerca de 15 mil litros de água potável, para evitar os problemas provocados pela contaminação.

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