Tribunal liberta freira acusada de adoção irregular
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quinta-feira, 27 de setembro de 2001
Cláudia Carneiro<br> Especial para a Folha 
A freira Anilse Terezinha Bianchini foi libertada ontem, depois que o Tribunal de Justiça acatou, por unanimidade, o pedido de habeas-corpus impetrado pela defesa. A freira estava presa há 95 dias acusada de coagir testemunhas no processo que apura o envolvimento dela em adoção irregular de crianças. Com um arranjo de flores nas mãos, a irmã deixou o quarto especial que ocupava na Guarnição do Corpo de Bombeiros, há mais de dois meses, acompanhada por integrantes da Igreja. A religiosa aparentava tranquilidade e recusou-se a responder as perguntas dos repórteres. Ela saiu escoltada por dois policiais militares e seguiu de viatura até o fórum para dar ciência ao alvará de soltura.
O julgamento do pedido de habeas-corpus ocorreu às 14h30, em Curitiba, e durou menos de 15 minutos. Um dos advogados de defesa da religiosa, Miguel Nicolau Júnior, fez a sustentação oral do pedido perante os três desembargadores da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. O principal argumento foi a falta de motivos para a manutenção da prisão preventiva, já que todas as testemunhas de acusação foram ouvidas. ''A única das testemunhas que faltava não foi encontrada e não deve ser ouvida'', argumentou o advogado. Mariliane Aparecida Zigmann seria ouvida hoje por carta precatória, em Curitiba.
Segundo alguns amigos, a religiosa viajaria ainda ontem para Curitiba, para uma realizar cirurgia uma das pernas. A freira sofre de trombose na perna esquerda, problema que teria se agravado desde os dias em que passou detida nas celas da 14ª Subdivisão Policial.
A freira Anilse Bianchini dirigia a Creche Santa Terezinha, onde, segundo denúncia do Ministério Público, teria intermediado a adoção irregular de pelos menos duas crianças. A freira também é acusada de maus tratos e coação de testemunhas, motivo pelo qual foi presa dia 24 de junho.


