O ex-chefe do almoxarifado da Prefeitura de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão), Admílson de Souza Pereira, o ‘‘Paraíba’’, terá que ser submetido a um novo julgamento pelo atentado, em junho de 95, contra o então prefeito José Paulo Novaes (PDT), que resultou na morte de uma mulher. Será o terceiro julgamento de Paraíba. Nos dois primeiros ele foi condenado a 18 anos e 2 meses de prisão. Os dois júris, no entanto, foram anulados pelo Tribunal de Justiça.
O advogado de Paraíba, José Aparecido Borges dos Santos, havia recorrido da sentença alegando erro na elaboração dos quesitos. Segundo ele, Paraíba foi denunciado por ter agido mediante promessa de pagamento, mas não há prova de que isso tenha acontecido. ‘‘Enquanto não mudarem a denúncia, vamos ficar repetindo o julgamento’’, disse o advogado. Paraíba foi a júri pela primera vez em fevereiro do ano passado e, pela segunda, em fevereiro deste ano.
A decisão do TJ, tomada na semana passada, foi por unanimidade, mas o processo ainda não retornou à Comarca de Goioerê. Só depois que os autos chegarem ao Fórum é que será marcada a data do novo julgamento, que deve acontecer ainda este ano. No início do mês, o Tribunal de Justiça já havia anulado o julgamento de um outro envolvido no atentando, o comerciário Fábio Henrique Afonso, o ‘‘Binho’’, que foi absolvido em maio de 97.
Binho é o único acusado que conseguiu a absolvição até agora. Um terceiro acusado de participação no crime, Ronaldo Wilson Hernandes, foi condenado a 17 anos e 6 meses de prisão. Já o acusado de ser o mandante do atentando, o ex-vereador Edilaldo Machado da Cruz, ainda não foi julgado. Ele fugiu antes de ter prisão preventiva decretada. Na época, Cruz já respondia por um outro homicídio contra um outro vereador da cidade, ocorrido em 1990.
O atentado aconteceu dentro de um restaurante, na noite de 14 de junho de 1995. Paraíba usou uma escopeta para atirar contra o então prefeito, mas acertou o tiro na comerciante Neuzely Farias, que morreu no local. Apesar da polícia achar que Paraíba agiu a mando de Cruz, o autor dos disparos disse nos dois julgamentos que agiu por conta própria porque vinha sendo ‘‘humilhado’’ pelo então prefeito.

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