Maringá - A Polícia Civil de Maringá realizou ontem uma operação contra tribunais arbitrais de conciliação, suspeitos de serem usados como escritórios de cobrança. Cerca de 15 policiais civis e três delegados cumpriram três mandados de busca e apreensão em diferentes pontos da cidade. No total, foram apreendidos seis computadores, um notebook e dezenas de documentos. Tudo será analisado e encaminhado para auditores do Ministério Público.
As investigações que resultaram na operação batizada de Camaleão tiveram início no primeiro trimestre de 2006. Desde então, a polícia tem acompanhando o andamento dos casos nos tribunais de arbitragem. De acordo com o delegado-chefe da 9 Suddivisão de Maringá, Antonio Brandão Neto, existem indícios que pessoas estariam utilizando os tribunais como escritórios de cobrança.
''Ao invés de buscar a conciliação entre as partes, essas pessoas estariam usando os tribunais para fazer a cobrança direta e lucrando com isso. As pessoas com menos instrução pensavam que estavam sendo cobradas pela Justiça'', explica.
Brandão não soube precisar quantas pessoas estariam envolvidas no esquema. Segundo ele, ainda será preciso apurar as informações da documentação apreendida e tomar o depoimento das pessoas ligadas a esses tribunais. Os envolvidos poderão ser indiciados por estelionato, formação de quadrilha e crime contra o consumidor.
O delegado ainda fez um alerta para que as pessoas entendam que esses tribunais são privados e não estão ligados ao Judiciário. ''A pessoa chega a esses locais e fica impressionada ao ver escrito 'tribunal' na fachada. Ela acredita que está sendo sentenciada pela Justiça. É preciso lembrar que eles podem ajudar na conciliação das partes e não em uma cobrança direta'', esclarece.

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