Trezentos atendimentos diários na UPA
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segunda-feira, 10 de junho de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
O mensageiro de hotel Cleverson Robert Campos, de 24 anos, foi o primeiro paciente a ser atendido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Sabará, na zona oeste de Londrina. "Estou com fortes dores no estômago e preferi vir aqui porque sei que nos outros hospitais vou enfrentar um longo tempo de espera", disse o rapaz, que aprovou o espaço. "A primeira impressão me agradou. Espero que continue assim", declarou.
Apesar da tímida procura na manhã de ontem, quando a UPA oficialmente iniciou as atividades, a estimativa da Secretaria Municipal de Saúde é de realizar uma média de 300 consultas diárias, atingindo ao final de cada mês 9 mil atendimentos.
"Vou aproveitar muito, pois moro perto daqui", afirmou a decoradora de festas Noemia da Silva Teodoro, moradora do Jardim Sabará 3, que também chegou nas primeiras horas para usufruir da unidade, tão aguardada pela população.
Apesar de ter sido inaugurada pelo ex-prefeito cassado Barbosa Neto em junho do ano passado, a obra estava prevista para entrar em funcionamento três meses depois. Por falta de equipamentos e funcionários, a UPA permaneceu fechada e só abriu as portas ontem, em uma solenidade com o prefeito Alexandre Kireeff.
O local conta com atendimento 24 horas e abriga cinco consultórios, uma sala de emergência, 16 leitos de observação e salas de medicação e de isolamento infeccioso e psiquiátrico. "Nossa equipe ainda não está completa porque muitos profissionais estão deixando outros vínculos. Esperamos ter 190 funcionários entre enfermagem, médicos e administrativo. Hoje, contamos com quatro médicos por turno, sendo três clínicos gerais e um ortopedista", afirmou o secretário de Saúde, Francisco Eugênio de Souza.
Segundo ele, a UPA não é uma Unidade Básica de Saúde (UBS). "É um pronto-socorro. Quem deve procurá-la são casos de urgência e emergência, referenciados das UBS ou trazidos pelo Samu, eventualmente. É claro que isso não impede que as pessoas procurem atendimento direto, mas haverá a chamada classificação de risco, em que os casos graves terão prioridade de atendimento", ressaltou. Com o início das atividades, o secretário acredita que a UPA deve aliviar os problemas de lotação na rede, principalmente no Pronto Atendimento Municipal (PAM).
Normatização
Durante a solenidade no UPA, o prefeito assinou um projeto de lei de autoria do vereador Padre Roque, que proíbe a inauguração de obras públicas incompletas ou que não atendam ao fim a que se destinam.
"Não faz sentido inaugurar um prédio sem atendimento. Vamos encaminhar esse projeto de lei e ver o que a Câmara delibera sobre isso. A sociedade, tenho certeza, se manifestará favoravelmente para que não haja inaugurações de prédios públicos que não estejam em condições de iniciar o atendimento. Acredito que tornando isso uma regra, uma lei municipal, com certeza vai proteger os recursos públicos. É uma política pública adequada", justificou Kireeff.
A medida vem de encontro com o que ocorreu com a UPA do Jardim Sabará. Após a inauguração em junho de 2012, a Secretaria de Gestão Pública suspendeu o edital de licitação para compra de equipamentos, alegando irregularidades nas empresas concorrentes. Em novembro, o processo licitatório foi novamente suspenso, quando o Observatório de Gestão Pública de Londrina (OGPL) apontou um superfaturamento no valor dos equipamentos licitados pela Prefeitura.
Em relação à implantação de mais uma UPA na cidade, o prefeito alegou "que é preciso definir a localização exata, além de alinhar a estratégia financeira do município com o governo federal". Ele ainda afirmou que existe a possibilidade de trocar o local da UPA Jardim do Sol, que teve a ordem de serviço para a construção na Avenida Abélio Benatti, assinada em dezembro pelo então prefeito Gerson Araujo. "A localização das outras UPAs deve ser feita através de critérios técnicos e não políticos e sobre isso tem autonomia total a Secretaria Municipal de Saúde", salientou.
Sobre a falta de médicos, Kireeff tratou como "uma deficiência de recursos humanos profissionais em nível nacional. Estamos abrindo concursos, contratando novos médicos, mas isso não se resolve do dia para noite. É fundamental a reestruturação da medicina preventiva para que a urgência deixe de ter um impacto tão grande no cotidiano do serviço público de saúde", disse, ao fazer referência aos investimentos nos Programas Saúde da Família, Vigilância Sanitária e Internação Domiciliar.


