Três projetos disputam prêmio nacional
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terça-feira, 17 de julho de 2001
Ellen Taborda De Curitiba 
Três trabalhos desenvolvidos no Paraná estão entre os 30 pré-finalistas selecionados para a terceira fase do Programa Gestão Pública e Cidadania da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os projetos classificados por um comitê técnico da FGV são o Mãe Curitibana, o Uni-Londrina e Suco Justo, de Paranavaí. Todos ainda vão passar por uma nova avaliação de técnicos que visitarão as cidades para conhecer o funcionamento dos programas.
Dos 30 trabalhos selecionados no País, 20 disputam a fase final. Na premiação, em novembro, os escolhidos receberão recursos para investimento: os cinco destaques com R$ 10 mil e os outros 15 com R$ 3 mil. Os recursos são do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Das 727 inscrições ao concurso da FGV, 58 foram do Paraná. De acordo com o diretor do programa, Peter Spink, o objetivo é identificar e difundir políticas públicas inovadoras dos Estados e municípios.
O Programa Mãe Curitibana é desenvolvido desde 1999 em Curitiba. O objetivo, de acordo com a médica da Secretaria Municipal de Saúde, Margarete Solá Soares, é a redução da mortalidade materna e infantil. A gravidez é acompanhada desde o pré-natal até o pós-parto por profissionais das unidades de saúde. Desde o princípio, a mãe já sabe onde terá o bebê. Dos 20 mil partos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no ano passado, quase 19 mil foram acompanhados pelo programa. Desde o início deste ano até o mês de maio, Curitiba registrou a morte de três gestantes, nenhuma delas vinculada ao Mãe Curitibana.
O Programa Uni-Londrina (Uma Nova Iniciativa na Educação de Profissionais de Sa© úde: União com a Comunidade) foi implantado há nove anos pelo Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em parceria com as secretarias municipal, estadual de Saúde e Conselho de Saúde da Região Sul de Londrina. O programa visa a formação de profissionais estimulando o desenvolvimento comunitário. O Uni-Londrina atinge também a comunidade e os serviços de saúde.
O projeto estimula também os universitários dos cursos da área de saúde a realizarem trabalhos junto à comunidade desde o primeiro ano da faculdade. Eles aprendem diretamente com a comunidade, diz Márcia Manha Mitsi, secretária do programa. Ela ressalta ainda que o Uni-Londrina tem o objetivo de melhorar o sistema de atenção à saúde e fortalecer o controle social pela comunidade.
Márcia Mitsi explica que o projeto proporcionou a reformulação dos currículos dos cursos de Medicina e Enfermagem, a criação de 10 conselhos comunitários de Saúde, 24 associações de mulheres e 33 de bairros. O Uni-Londrina é financiado pela Fundação Kellog, dos Estados Unidos.
O projeto Suco Justo, de Paranavaí, desenvolvido pela Associação de Produtores e Colhedores de Laranja do Noroeste (Aproclan), foi selecionado pela segunda vez no concurso da FGV. No ano passado, o projeto ficou entre os 10 finalistas.
Realizado em parceria com as prefeituras de Paranavaí e Alto Paraná, o projeto começou atendendo 120 famílias em 1999 e no ano seguinte passou para mais de 250. O Suco Justo é na realidade um projeto da organização não-governamental (ONG) FLO, da Alemanha, que destina parte do suco de laranja produzido pelas duas indústrias da cidade para o mercado solidário.
A assistente social Simone Piveta, coordenadora do programa, explica que o suco comercializado com o selo da FLO na Alemanha, Itália, Áustria e Suíça tem um preço acima do mercado e o valor arrecadado a mais é destinado ao atendimento do colhedor da fruta. Antes de dar o selo ao produto local o pessoal da FLO conheceu todo o processo de produção, lembra a assistente social.
Como as lavouras de laranja da região Noroeste se enquadram nas exigências, principalmente não empregando mão-de-obra infantil, a ONG incluiu o suco no projeto. Em 1999 foram comercializadas 1.624 toneladas no mercado solidário, com renda US$ 162 mil. No ano passado foram apenas 227 toneladas e US$ 22,7 mil. (Colaboraram Edna Mendes, de Londrina, e Marcos Zanatta, de Maringá)


