O delegado federal José Alberto de Freitas Iegas, que preside o inquérito policial que investiga a apreensão de 300 quilos de cocaína ocorrida esta semana em Londrina, ouviu ontem o proprietário de uma indústria de frango congelado da região, um frentista de posto de gasolina e o dono do apartamento em que os colombianos do cartel de Cali estavam morando. Os nomes e os locais foram mantidos em sigilo pela PF.
‘‘Eles não têm nada a ver com a droga apreendida. O dono do abatedouro de aves foi ouvido porque os traficantes usariam seus produtos para enviar a cocaína para o exterior (a droga ia dentro do frango congelado). Queríamos saber como foi feito o negócio. Quanto ao frentista, precisávamos apenas confirmar se realmente o empresário David Rodrigues Alfredo foi quem comprou combustível para o avião que trouxe o tóxico. Já por intermédio do proprietário do apartamento, ficamos sabendo que foi José Antônio Daher (Zezo) que o alugou para os colombianos’’, afirmou Iegas.
Os 300 quilos de cocaína foram apreendidos na mansão de Daher, ocasião em que ele foi preso. A droga foi desembarcada de um avião bimotor, vinda da Colômbia. O bimotor pousou na pista da fazenda do acusado em Ortigueira. A aeronave teve problemas mecânicos e não conseguiu mais levantar vôo.
O combustível comprado por David seria para o avião retornar à Colômbia. A aeronave possui um tanque de reserva, com autonomia de vôo para 15 horas. Na vistoria feita pelos policiais federais foi descoberto um fundo falso, próprio para acondicionar tóxico. David foi preso nas proximidades de sua firma, a Arábica Industrial.
Através de precatória, foi solicitada à PF de Brasília que ouça uma pessoa (o nome está sendo mantido em sigilo) que pode ser proprietária do bimotor. As investigações apuraram que Daher teria comprado dois aviões, usando dinheiro do cartel de Cali. No apartamento alugado por ele foram presos três colombianos.
Ontem foi publicado um edital de citação e intimação, com prazo de 30 dias, para Daher e sua esposa pagarem R$ 32.154,68 de uma dívida vencida em novembro de 1997 com o banco Santander Brasil S/A. A dívida refere-se a conta corrente no banco, cheque especial e cartão de crédito com limite de R$ 5 mil. Se caso a dívida não for paga, serão penhorados 50% de dois apartamentos de propriedade do casal. O edital está assinado pela juíza da 8ª Vara Civil de Londrina, Cristiane Tereza Willy Ferrari.
O edital surpreendeu a PF, visto que as propriedades de Daher valem muito mais do que o valor da dívida. Segundo a PF, além da mansão às margens do Igapó, o acusado possui fazendas no Paraná e Mato Grosso do Sul, chácara em Rolândia e uma outra mansão no litoral paulista com marina e um barco. Daher, quando questionado sobre as armas apreendidas com ele e os três silenciadores, alegou que era para seu caseiro da praia, onde a propriedade já havia sido assaltada.

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