Três mortos em acidente na PR-323
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domingo, 19 de julho de 1998
Alexandre Sanches 
DescaminhoOs ônibus estavam lotados de mercadorias trazidas do ParaguaiTrês pessoas morreram e sete ficaram feridas em um acidente, ontem de manhã, envolvendo dois ônibus de turismo e uma carreta. O acidente aconteceu por volta das 7 horas na PR-323, próximo do trevo de acesso a Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio). A Polícia Rodoviária de Porto Charles Naufal - divisa com o Estado de São Paulo - que atendeu a ocorrência, não soube informar quem procovou a colisão frontal entre a carreta e um dos ônibus. Chovia no local.
De acordo com Valdemar da Silva, 39 anos, proprietário do ônibus placa LXQ 8041, de Foz do Iguaçu, eles iam de Ciudad del Este, no Paraguai, para São Paulo (SP). Próximo do trevo para Sertaneja, a carreta placa CLK 9603, de Mirassol (SP), dirigida por José Luiz Colela, 50 anos, invadiu a pista contrária e bateu de frente no ônibus placa CBR 5259, de São Paulo (SP), dirigido por Fábio José dos Santos, 32 anos, que morreu no local. O ônibus de Silva, dirigido por José Roberto dos Reis, que seguia atrás, não conseguiu desviar e bateu na traseira do primeiro ônibus.
Mortos e feridosAlém de Fábio Santos morreram a chinesa Chen Wang Chun Mei, 56 anos e o ambulante Carlos Douglas Moreira de Oliveira, 32 anos, que estavam nos primeiros bancos do ônibus. Foram internados na Santa Casa de Cornélio Procópio os passageiros Gidian Rocha Sobrinho, 38 anos, Luang Flanklin, 26 anos e Élio Sandro Ferreira da Silva, 28. Ontem à tarde os três continuavam em observação na enfermaria.
Anderson José, 31 anos (motorista substituto do ônibus), com fratura nas duas pernas e Chien Kin, que teve fratura no crânio e em uma das pernas, estavam internados na UTI da Santa Casa. Segundo o médico-plantonista Márcio Pozzi, os dois foram operados e passam bem, apesar dos ferimentos. José Colela foi levado para o Hospital Evangélico de Londrina, com fraturas no tornozelo, costela e escoriações generalizadas. Ele ficou internado somente em observação.
MuambaAlgumas das vítimas do acidente acompanharam os trabalhos da Polícia Rodoviária e de funcionários da Econorte, concessionária responsável pela manutenção da rodovia. O primeiro ônibus estava repleto de mercadorias contrabandeadas do Paraguai. Segundo informações desencontradas entre os passageiros, viajavam no primeiro ônibus entre 6 e 15 passageiros. O restante do veículo estava tomado de mercadoria - principalmente eletrodomésticos e brinquedos -, inclusive os bagageiros.
O ônibus de Foz do Iguaçu havia sido fretado para transportar sacoleiros até São Paulo (SP), mas nem o motorista, nem os passageiros confirmaram se o grupo viajava com os sacoleiros do primeiro ônibus. Apesar da gravidade do acidente, os passageiros tiveram somente ferimentos leves e foram liberados após serem medicados. A filha da chinesa morta, que preferiu não se identificar, disse que ela viajava num terceiro ônibus, que vinha logo atrás. Ela, junto com um grupo de chineses, acompanhou o trabalho de resgate dos corpos e retirada das mercadorias, que foram levadas para o posto da Polícia Rodoviária, a cerca de oito quilômetros do local.
O choque foi tão violento que a carreta, que estava vazia, foi parar no meio de um milharal, enquanto o primeiro ônibus ficou virado no sentido oposto ao que trafegava. O segundo ônibus foi jogado para o outro lado da estrada. Os funcionários da Econorte tiveram que cortar parte do primeiro ônibus para desobstruir a estrada. A polícia não deixou que se formassem longas filas no local, e liberou o tráfego aos poucos.
O socorro às vítimas foi rápido, mas a liberação total da rodovia levou mais de sete horas. Parte dos passageiros foi levada para o posto da Polícia Rodoviária em Porto Charles Naufal. Toda a mercadoria contrabandeada no Paraguai foi apreendida pela Polícia Federal de Londrina. O contrabando, juntamente com o grupo de seis a oito chineses foi levado a Londrina. A mercadoria será entregue hoje à Receita Federal. Os demais sacoleiros foram liberados. Até o final da tarde de ontem a Polícia Rodoviária tentava obter informações sobre o local onde fora internado e as condições de saúde do motorista do segundo ônibus.


