Três morrem em tiroteio no Centro
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sexta-feira, 05 de junho de 2009
Diego Ribeiro<br> Equipe da Folha 
A série de mortes de travestis, ocorridas em Curitiba, nos últimos 30 dias, teve um desfecho na noite de quinta-feira. A motivação já era conhecida da polícia. Os crimes não tinham relação com homofobia, mas sim, com o tráfico de drogas. O que não se sabia ainda era quem estava por trás dos crimes.
No início da noite de quinta-feira, os policiais da Delegacia de Homicídios trocaram tiros com um homem apontado como suposto autor dos assassinatos, Hirosshe de Assis Eda, 34 anos, conhecido como "Japa da Correria", no Edifício Dom Ignácio, na Rua Doutor Pedrosa, no centro da Capital. Além disso, os policiais descobriram que ele e sua quadrilha queriam dominar, a qualquer custo, o tráfico de drogas na região central da cidade, nas ruas Cruz Machado, Saldanha Marinho e Visconde de Nácar. Hirosshi mataria quem lhe devia e quem não comprava com ele.
Desde o início do mês passado, quando um travesti foi morto, a polícia iniciou uma investigação. Durante os dias que seguiram, outros três travestis foram assassinados em Curitiba.
Há suspeita de uma quinta vítima, encontrada dentro de um saco de lixo, no início desta semana. Segundo o delegado Hamilton da Paz, uma prostituta também teria sido executada por Hirosshe.
As investigações continuaram, mas, apenas nesta semana, a polícia teve uma possibilidade concreta de chegar ao suspeito dos crimes e até sua quadrilha. Uma prostituta, que seria a próxima vítima de Hirosshe, foi até a delegacia, onde pediu proteção e informou que ele a buscaria no Terminal Guadalupe, no início da noite de quinta-feira.
Então, a equipe da polícia foi até o terminal, por volta das 19h30 para acompanhar a moça e começou uma perseguição que terminaria com a morte de Hirosshe, uma mulher e um policial.
"Quando ele tentou puxá-la para o interior do veículo, nós demos voz de prisão e ele fugiu, já atirando", conta o delegado. Uma mulher, conhecida apenas por Paula, estava com Hirosshe no carro. Na fuga, os policiais acertaram tiros nos pneus do veículo do suspeito. O casal parou o carro e os dois seguiram a pé, separados.
Hirosshe correu para o Edifício Dom Ignácio e forçou a entrada no prédio, segundo o porteiro disse à polícia. Já perto das 21 horas, os policiais descobriram onde Hirosshe estava e foram até o prédio.
"Ao ver os policiais na porta, ele começou a atirar e correu para o último quarto, onde se escondeu embaixo da cama e continuou atirando", explica. Foram cerca de 18 tiros. Um dos disparos acertou a barriga do investigador Valter Aquino Pimentel. Ele usava colete balístico, mas a bala o atingiu por baixo da proteção. O policial morreu na manhã de ontem, no Hospital Cajuru.
No apartamento, além da equipe da Delegacia de Homicídios, havia mais sete pessoas. Todos seriam consumidores de drogas e pequenos traficantes, segundo a polícia. Um deles é o ex-policial civil Gerson Saldanha, 49. Seis pessoas, inclusive o ex-policial, foram presas. Uma mulher, conhecida como Elen, seria esposa de Saldanha. Hirosshe e Elen morreram durante o tiroteio.
O ex-policial e mais três homens foram levados para o Centro de Triagem 2, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Outras duas mulheres foram para o CT1, no Centro. Todos os detidos foram autuados por tráfico e associação ao tráfico.
O apartamento onde ocorreu o tiroteio era conhecido como ponto de consumo de drogas. Lá, a polícia apreendeu pequenas quantidades de cocaína, crack e "cabral" -uma mistura das duas drogas-, e a pistola 380 de Hirosshe.
O policial será enterrado, na manhã de hoje, no Cemitério Jardim da Saudade, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).


