Três pessoas morreram, na noite de anteontem, no Hospital Anísio Figueiredo, conhecido como Hospital da Zona Norte (HZN), em Londrina, em decorrência da falta de leitos nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) de toda região. Além dos três que morreram por problemas respiratórios, um outro paciente, que sofreu um derrame cerebral, continua internado no HZN, correndo risco de morte, enquanto aguarda a transferência para outro hospital.
O diretor-clínico do HZN, Márcio Próspero, explica que um dos pacientes que faleceu já estava internado há 15 dias esperando a transferência para uma UTI, já que o hospital não dispõe desse serviço. Os outros dois que vieram a óbito chegaram, por volta das 16 horas, com um quadro de insuficiência respiratória grave. Nesse momento, a direção do hospital entrou em contato com demais instituições de saúde e informou sobre a suspensão do atendimento a casos ambulatoriais. Algumas pessoas esperaram por mais de quatro horas para serem atendidas, por causa da situação de emergência.
Segundo Próspero, todos os médicos e enfermeiros presentes no hospital foram disponibilizados para atender os quatro pacientes que atravessavam um período crítico, e necessitavam de respiradores artificiais. O problema foi se agravando pelo fato do HZN contar com, apenas, dois respiradores, sendo que um fica no centro cirúrgico. ''Por se tratar de uma emergência, trouxemos o respirador, mas mesmo assim dois pacientes ficaram sem o aparelho'', lamentou.
O médico observou que a direção do hospital tentou conseguir vaga para os pacientes junto à Central de Leitos do Estado, mas não existiam vagas nos hospitais. Próspero disse que até mesmo o promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, foi procurado, mas não foi encontrado, por estar viajando de férias.
O supervisor da Central de Leitos, Édio Gomes, afirmou que, no momento que a direção do hospital solicitou dois leitos de UTI, um dos pacientes estava entrando em óbito. Ele esclareceu que, ontem à tarde, outras quatro solicitações de vagas foram feitas, mas que não há leitos disponíveis.
A família de um dos pacientes que morreu, Balbino Batista dos Santos, 73 anos, lamentou o fato dele ter falecido pela falta de um leito de UTI. O filho Antônio Batista dos Santos ressaltou que o corpo médico do HZN tomou todas as medidas possíveis para salvar a vida de seu pai, que morava no Conjunto Aquiles Stenghel, na zona norte. ''Não tenho do que reclamar do hospital. Mas por atender uma população tão grande, deveria ter uma estrutura melhor, inclusive com uma UTI'', comentou.
Antônio contou que seu pai apresentava problemas respiratórios há um mês, desde que voltou para casa após passar por uma cirurgia na cabeça. A cirurgia precisou ser realizada em Apucarana, exatamente por não haver leitos em hospitais de Londrina. ''Já perdi meu pai e não quero que outras famílias passem por isso'', afirmou.

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