Londrina – Prender a respiração e seguir em frente. Quem passa pelo Bosque Municipal de Londrina adota estratégias para continuar a caminhada. O mau cheiro é constante e o problema fica ainda mais grave pela falta de limpeza e manutenção. "Se você não está doente, você fica quando passa por aqui", diz a aposentada Maria de Souza. Ela colocou as mãos no nariz, tentou não respirar por alguns segundos, se abanou, mas não conseguiu amenizar os efeitos do mau cheiro. "É horrível", constata.
Há três meses a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) mantém apenas o serviço de varrição no Bosque Central. A lavagem das calçadas internas deixou de ser feita após o rompimento do contrato com a empresa Schoen Comércio, Locação e Manutenção de Equipamentos Rodoviários (RS). A empresa venceu a licitação e o contrato no valor de R$ 588 mil teve início em agosto do ano passado. A lavagem do Bosque e do Calçadão e a varrição nos dois locais seriam realizadas até outubro deste ano, mas, conforme a assessoria de imprensa da CMTU, a empresa não conseguiu atender a demanda de serviços.
O contrato foi rompido no final de dezembro e a Companhia não possui equipamentos para realizar a limpeza. Funcionários de outra empresa terceirizada, a ConservLimp Ambiental, assumiram a varrição no Calçadão e no quadrilátero central. Sem a lavagem, crostas de sujeira deixadas pelos pombos se acumulam nas muretas e bancos de concreto.
A Companhia pretende retomar a lavagem do Bosque na semana que vem após o conserto de um caminhão pipa que pertence à Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). O veículo estava em desuso e foi cedido para a execução da atividade. A assessoria de imprensa não soube informar se o serviço de lavagem também será executado no Calçadão, já que o número de funcionários é restrito. A licitação para esse serviço deve ser publicada até o final do primeiro semestre.

Dor de cabeça
Natália Dias é monitora da Zona Azul nas calçadas ao redor do Bosque, nas avenidas São Paulo e Rio de Janeiro. A jovem é obrigada a inspirar o mau cheiro todos os dias. Máscaras simples cedidas pela Epesmel, que administra o estacionamento rotativo, ajudam a amenizar o efeito, mas ela confessa que sente muitas dores de cabeça. "O cheiro é insuportável. Para evitar, tento ficar do outro lado da rua e volto quando alguém precisa de ajuda", explica.
Para o vigilante Waldir Rodrigues, a situação deveria ser resolvida o quanto antes. "Já que não dá pra lavar, teria que varrer aqui pelo menos uma vez por dia", acredita. Além das fezes dos pombos, sacolas plásticas, pedaços de papelão e papéis de bala são facilmente encontrados no local.
O gramado entre as mesas e bancos de concreto também precisa ser aparado no Bosque. O office boy Leonardo Augusto também reclama da falta de manutenção. "Passo aqui várias vezes ao dia. Já escorreguei, mas consegui me equilibrar e não caí", diz.

Educação
No Calçadão, a varrição ameniza boa parte da sujeira. Copos plásticos e pedaços de papéis foram encontrados no chão, próximo às lixeiras. "Também falta educação por aqui; deveria ter punição para quem faz isso", afirma o aposentado Augusto Gonçalves.
Na Praça Sete de Setembro, o acúmulo de fezes dos pombos também já transformou o cenário no cruzamento das ruas Professor João Cândido e Piauí, próximo ao Bosque. Lixeiras improvisadas com pedaços de madeira e arame e partes de galões de água foram instaladas nas bases das placas de sinalização ou próximo às árvores. A CMTU admite a falta de lixeiras e, conforme a assessoria, a licitação para a compra de novos equipamentos será publicada até o final de abril.

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