Três presos da delegacia de Santo Antônio da Platina (20 quilômetros de Jacarezinho) foram encontrados mortos em suas celas ontem de madrugada. De acordo com informações preliminares da perícia, Cleverson Carvalho, 23 anos, conhecido como ‘‘Palito’’, e Marco Antônio da Silva, 22 anos, o ‘‘Cascola’’, morreram estrangulados. O terceiro detento, Júnior César Francisco, o ‘‘Juninho’’, 18 anos, preso em flagrante por roubo de residência, foi vítima de enforcamento.
A Polícia Civil informou que Carvalho e Silva haviam sido condenados pela Justiça na última terça-feira a três e quatro anos de prisão, respectivamente, por envolvimento com o crime de vilipêndio (violação de túmulo e do cadáver) da estudante Priscila de Oliveira Caldi, 16 anos, no final de outubro de 2000. Ela morreu em um acidente automobilístico. Carvalho deveria cumprir a pena em regime aberto e Silva em semi-aberto. Eles seriam liberados nas próximas semanas, mas ainda estavam presos porque foram autuados em flagrante por dano ao patrimônio público, em março, durante um motim na cadeia.
O delegado de Santo Antônio da Platina, Sérgio Taborda, acredita que o crime tenha sido motivado pela condenação. ‘‘A decisão da Justiça pode ter inflamado os detentos’’, disse. Ele não admitiu a possibilidade de rixas entre facções na cadeia, mas afirmou que Marco Antonio da Silva chegou a ser ameaçado pelos presos e foi transferido para outra cela. ‘‘Averiguamos a ameaça e mudamos ele de cela.’’ Taborda comentou que, no caso da morte de Júnior César Francisco, existe a hipótese de ter sido suicídio. Ele estava preso há um mês por roubo e não teve participação na violação do túmulo e cadáver da estudante. ‘‘Não sabíamos de nenhuma problema dele com os demais presos’’, afirmou.
O investigador Roberto Martins confirmou que a violação do túmulo e cadáver da estudante causou indignação nos presos e a condenação pode ter influenciado os assassinatos. ‘‘Eles (os dois mortos) sempre negaram o envolvimento no caso, talvez a decisão da Justiça tenha confirmado a suspeita e motivado os companheiros de cela’’, disse.
De acordo com Martins, durante a ronda noturna de ontem um dos policiais de plantão encontrou uma das vítimas enforcada na grade e, logo depois, as outras duas. Foram utilizados pedaços de lençol e roupas para fazer uma corda usada nos enforcamentos. Os presos mortos dividiam as celas com outros quatros detentos. Os corpos foram retirados da cadeia por volta das 4 horas e encaminhados para o Instituto Médico-Legal de Jacarezinho.
A cadeia de Santo Antônio da Platina tem capacidade para 32 detentos, mas abriga 50. Segundo o investigador Roberto Martins, os presos não comentaram nada sobre as mortes. O laudo oficial do IML deve ser divulgado até o final da semana. A Polícia Civil informou que, caso o autor dos crimes não seja localizado, todos os presos serão indiciados por homicídio.

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