Londrina registrou três mortes em menos de 10 horas ontem. Os dois primeiros assassinatos aconteceram de madrugada e por volta de meio-dia (veja box). Por volta das 14h30, Marcelo de Souza, 26 anos, foi morto por policiais militares após denúncia de que estaria armado nas redondezas da Rua Santa Terezinha, na Vila da Fraternidade (zona leste). Só neste ano, Londrina registrou 65 homicídios.
No local do crime, um prédio abandonado que serve de mocó, o desespero dos familiares da vítima gerou confusão. Os parentes insistiam em entrar no mocó onde o corpo estava mas a polícia aguardava a vinda dos peritos do Instituto de Criminalística. Um dos irmãos da vítima, chamado Cleiton, acabou sendo detido por desacato a autoridade, de acordo com os policiais. Mas foi liberado ainda ontem.
Ana Paula Souza, irmã da vítima, contou que Marcelo era usuário de drogas há mais de dez anos e não tinha emprego. ''A menina que estava fumando com ele foi em casa avisar que ele tinha sido morto'', disse. Marcelo tinha dois filhos pequenos, de 2 e 4 anos. ''Minha mãe cuidava deles porque a mãe também é dessas (viciada)'', observou.
A tenente Mildemberger, da PM, descreveu que, ao chegar ao local, dois PMs entraram e um terceiro ficou do lado de fora. Havia quatro pessoas em um quartinho. ''O policial pediu para que eles saíssem para uma sala maior e o Marcelo ficou no quarto. Quando o policial se voltou para ele, viu que tinha a arma apontada e o PM acabou atirando'', descreveu.
Marcelo recebeu dois tiros de pistola (na testa e no tórax), um de cada policial. Ao lado do corpo foi encontrado um revólver calibre 32 com três cartuchos. Segundo o perito da Criminalistica, Luís Noboru Marukawa, nenhum tiro foi disparado da arma.
No local havia roupas, cobertores e sapatos velhos. Também foi encontrado um cachimbo usado para consumo de crack e outros objetos que indicam uso de substâncias entorpecentes.
As outras pessoas que estavam com a vítima são Márcia Cristina Soares, Valdir de Souza e Anderson de Souza. Segundo o delegado do 2º Distrito Policial, Eduardo Cabral, elas serão ouvidas posteriormente. Ainda ontem, Cabral ouviu quatro PMs. Em princípio, a polícia acredita na hipótese de legítima defesa por parte dos PMs.

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