Tremor ocular do estresse
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Existem pessoas que apresentam um tremor ocular que faz abrir e fechar as pálpebras ininterruptamente e que acontece principalmente em situações estressantes. Trata-se do blefaroespasmo, uma espécie de tique nervoso que muitas vezes é provocado por situações como cansaço físico e psicológico, mas que também pode estar relacionado à existência de problemas neurológicos.
Segundo a oftalmologista Patrícia Moitinho, do Hospital Oftalmológico de Brasília, normalmente uma pessoa pisca de 20 a 25 vezes por minuto, mecanismo que permite que a lágrima limpe e lubrifique a córnea. Isso neutraliza a ação de microrganismos que podem provocar infecções oculares. No blefaroespasmo essas piscadas aumentam a sua frequência e podem ser classificadas como primário e secundário.
A oftalmologista Fabiane Kikuchi Fujii, do Instituto Fujii de Oftalmologia de Londrina, explicou que o blefaroespasmo é aquele tremor que faz contrair o músculo em volta do olho e que muitas pessoas sentem quando estão assistindo TV. ''Geralmente é aquele tremor discreto que surge em um determinado momento e desaparece segundos depois'', descreveu. As causas, destacou a médica, não são determinadas, mas podem ser desencadeadas até pela ingestão em excesso de cafeína.
Bateria de testes
Fabiane alertou que existe também aquele blefaroespasmo mais intenso, que acomete mais comumente os idosos e provoca um piscar de olhos mais frequente e que atrapalha o cotidiano das pessoas, impedindo atividades como dirigir, andar e trabalhar.
''Sempre vem alguém que se queixa do problema. São casos geralmente relacionados ao estresse'', aponta Fabiane, relatando que ocorrências de blefaroespasmo são comuns. Ela informa que o diagnóstico é feito clinicamente e por exclusão, ao verificar se o paciente possui ou não inflamação, o seu histórico e como está a condição da pálpebra.
Fabiane observou que muitas vezes, em casos relacionados ao estresse, ao ser informado sobre as causas do blefaroespasmo, o paciente relata que está passando por um período difícil. Em alguns casos, expõe Fabiane, são receitados ansiolíticos que ajudam a relaxar os pacientes.
Quando é constatado o blefaroespasmo, uma bateria de exames é realizada para checar a resposta do paciente. Em alguns casos podem ser recomendados exames neurológicos para avaliar se existe algum adenoma ou tumor que esteja incitando esses movimentos involuntários ou se há alguma outra causa neurológica.
A especialista londrinense explicou que o uso de colírios não ajuda muito nos casos de blefaroespasmo, a não ser que tenha alguma causa funcional como o olho seco ou a pálpebra caída. ''Pode aliviar, mas não serve para tratar o problema'', revelou. Fabiane orientou que o tratamento mais adequado é a aplicação de toxina botulímica para ajudar a relaxar os músculos e que deve ser reaplicada a cada quatro ou seis meses. Em casos mais extremos, existe a opção de intervenção cirúrgica.
De acordo com a especialista Patrícia Moitinho, o fator neurológico também faz com que haja tremor muscular. O blefaroespasmo pode ser um sinal de problemas neurológicos como distonias, que são mais comuns em indivíduos que têm uma disfunção nas estruturas cerebrais responsáveis pelo refinamento dos movimentos. ''A evidência é o fato dos músculos serem ativados sem que haja necessidade dessa ativação'', ilustrou a especialista.


