Cambé Dois vagões de um trem da América Latina Logística (ALL) descarrilaram ontem no Centro de Cambé (13 km a Oeste de Londrina). O acidente interditou a Rua Equador durante quase todo o dia, mas ninguém se feriu e não houve despejo de carga no solo, já que os vagões estavam vazios. O acidente é o primeiro do tipo registrado em 2006 no Paraná.
A composição com 74 vagões seguia de Apucarana - onde a ALL tem um pátio de manobras - para Londrina, onde ela receberia combustível para ser levado até Ourinhos, no interior paulista. A viagem foi interrompida por volta das 8h30. ''Vi o vagão saltando já a uns 200 metros do cruzamento da linha com a rua. Quando chegou na minha frente, o pino que segura os vagões quebrou e um deles descarrilou'', descreveu o operador da cancela, Jacinto Alves Vieira.
Com a quebra, a parte final da composição parou. O trem ainda seguiu por cerca de 100 metros antes de conseguir frear, arrastando um segundo vagão que também saiu dos trilhos. ''Por sorte, não tinha ninguém por perto'', contou o jardineiro Roberto Gonçales.
Os cinco vagões que se soltaram da locomotiva pararam exatamente no cruzamento da linha com a via, impedindo o trânsito. O coordenador de mecânica da ALL, Paulo César Fonsaca, chegou ao local do acidente às 11 horas. ''Deslocamos nosso guindaste de Apucarana para cá para poder retirar os vagões descarrilados. Tudo deve estar normalizado em 24 horas'', garantiu. Cada uma das peças da composição pesa, vazia, 25 toneladas.
Fonsaca não soube dizer o que pode ter provocado o acidente. ''O trem estava em velocidade normal - cerca de 15km/h - e, a princípio, não há nada de anormal nos trilhos'', disse. Ele também garantiu que tanto a manutenção da linha quanto do trem estariam ''em dia''.
Este é o primeiro acidente enfrentando pela ALL no Paraná em 2006. O Norte do Estado assistiu a três ocorrências em 2005, contra quatro no ano anterior. O índice máximo de acidentes tolerados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é de 33,5 para cada milhão de quilômetros rodados. A última medição divulgada pela ALL aponta um índice de 15,3 para a empresa.
Fonsaca acredita que a redução deve-se à instalação de sensores anti-descarrilamento nos trilhos utilizados pela empresa. ''São 220 instalados principalmente na região Central do Paraná'', detalhou. A região de Cambé, no entanto, não conta com o equipamento, mas a assessoria de imprensa da empresa garantiu a instalação de mais 200 sensores ainda este ano, em regiões variadas. Para descobrir as causas do acidente, Fonsaca deve pedir a abertura de uma sindicância. O prazo para conclusão é de 30 dias.

mockup