Ortigueira - Uma composição da América Latina Logística (ALL), que seguia de Maringá para o Porto de Paranaguá, descarrilou ontem pela manhã no quilômetro ferroviário 466 em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana). Duas locomotivas e dezoito vagões que estavam carregados com óleo diesel, álcool e açúcar, se incendiaram. A empresa calculou que cerca de 300 mil litros de combustíveis tenham sido consumidos pelas chamas. O maquinista que conduzia o trem escapou sem ferimentos. A ALL abriu sindicância para apurar as causas do acidente e o laudo deve ficar pronto em 30 dias.
Segundo a ALL, o acidente aconteceu às 8h30 da manhã. A composição era formada por 104 vagões mas 59 viajavam vazios. Dos vagões atingidos, 11 estavam carregados com álcool, outros cinco com diesel e mais dois com açúcar. O local onde o trem descarrilou fica dentro da Reserva Indígena Queimada, distante cerca de cinco quilômetros da BR-376. Na aldeia, residem aproximadamente 400 índios caingangues. Gabriel Kaje da Silva contou que os índios ouviram o barulho das explosões e em seguida perceberam a densa coluna de fumaça. ''Eu nunca vi nada parecido'', afirmou.
A ALL deslocou equipes de segurança, a Brigada Ambiental e acionou o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Corpo de Bombeiros de Telêmaco Borba. De acordo com o major dos Bombeiros, Wilson Luis Marcante, o combate ao incêndio foi prejudicado porque o local era de difícil acesso para os caminhões-pipas. Até por volta das 15h30, ele ainda aguardava a chegada de uma espuma especial para apagar as chamas.
O gerente da ALL para o norte do Paraná, Celso Filyk, declarou que a empresa trabalha com algumas hipóteses e fará uma reconstituição do acidente. Uma das possibilidades é que tenha havido uma refração do trilho em razão da grande diferença de temperatura no dia anterior, que oscilou de 40 graus Celsius durante o dia para 5 graus na madrugada. Outra causa avaliada é quebra mecânica. ''Esta é uma linha de grupo 1, que recebe toda a atenção e que transporta maior volume de carga e tem mais investimentos'', apontou. A empresa ainda não levantou os prejuízos causados pelo descarrilamento. Funcionários da empresa passariam a noite construindo um desvio e a previsão era de que até às 12 horas de hoje a composição seria retirada e a linha liberada.
O gerente de meio ambiente da ALL, Durval Nascimento Neto, assegurou que o impacto ambiental foi superficial e que o incêndio teria atingido apenas a vegetação rasteira. Ele afirmou que o combustível foi todo consumido pelas chamas e que não atingiu nenhum curso d'água. A fumaça tóxica gerada pela queima de combustível, segundo Nascimento Neto, não oferecia riscos porque a área era aberta.
A ALL garantiu que a linha passa por vistorias regularmente. Equipes a pé fazem a inspeção dos trilhos a cada dois dias e, pelo menos, duas vezes por ano, os trilhos são avaliados por aparelhos de ultra-som. Mesmo com tais mecanismos de controle e segurança, esse foi o segundo acidente no ano envolvendo trens da ALL. No final de março, três locomotivas e 36 vagões carregados com soja, farelo e milho descarrilaram em Morretes, no litoral do Estado, e a carga atingiu o rio Caninana.

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