Trem descarrila e carga de álcool vaza
LONDRINA-OURINHOS Trem descarrila e carga de álcool vaza Pelo menos 2 mil litros atingiram um córrego na zona rural de Uraí; ferrovia estava interditada desde sábado à noite Milton DóriaACIDENTEDos 17 vagões, oito tombaram e três despencaram de uma altura de sete metros; desde sábado à noite, quando ocorreu o acidente, homens do Corpo de Bombeiros faziam o rescaldo; causa do acidente está sendo apurada Lúcio Flávio Moura Enviado a Uraí Por pouco, um acidente ferroviário não causa um desastre ambiental na zona rural de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio). Uma composição que fazia o percurso Ourinhos a Canoas (na região metropolitana de Porto Alegre) descarrilou às 22 horas de sábado em uma curva no km 162 do trecho Londrina-Ourinhos e oito dos 17 vagões que transportavam álcool tombaram. Três deles despencaram de uma altura de aproximadamente sete metros e foram parar próximo às águas do Figueirinha, pouco metros antes deste córrego desaguar em um açude usado para a formação de tanques para piscicultura. Ninguém ficou ferido e a locomotiva não sofreu danos. O tráfego na ferrovia ficou paralisado até às 3 horas da madrugada de ontem. O acidente destruiu um trecho de cerca de 100 metros de trilhos e dormentes, que no final da tarde de ontem já estavam praticamente recuperados. Desde a noite de sábado, 18 homens entre bombeiros, funcionários da América Latina Logística (ALL, concessionária da linha) e de uma empresa de manutenção que presta serviços a ALL realizam o trabalho de rescaldo (medida para evitar focos de incêndio) e remoção dos vagões. Uma máquina está bombeando os 80 mil litros de cada vagão danificado para outro tanque móvel que é trazido e levado por locomotivas de socorro. Amanhã os vagões serão guinchados para serem recuperados pela ALL. A Folha apurou que cerca de dois mil litros se misturaram à água do córrego. O proprietário rural Mário Shibukawa, 48 anos, dono do Sítio Recanto Santa Tereza, no distrito de Cruzeiro do Norte, região da Serra Morena, local do acidente, disse à Folha que até o final da tarde de ontem as águas do córrego e do açude não apresentavam sinais de mortandade de peixes. Recém-formado, o açude (que ocupa uma área de seis mil metros quadrados) foi construído para abastecer três tanques de criação de peixes. Estou tendo todo o apoio da ALL e do IAP. Não vou acionar a polícia, nem a justiça, porque confio que não serei prejudicado. O vazamento foi pequeno, afirmou Shibukawa. Funcionários do sítio lembraram um descarrilamento mais grave ocorrido no final da década de 70 há um quilômetro do ponto do acidente de sábado, onde o impacto sobre o meio ambiente ainda pode ser sentido. Um deles lembrou que um poço que abastecia uma propriedade foi atingido com óleo diesel e ainda hoje permanece poluído e inutilizado, com forte odor do produto. Silvana Alcântara, gerente de Patrimônio e Assuntos Corporativos da ALL, informou que a empresa comunicou imediatamente o fato ao Instituto Ambiental do Paraná, que deverá determinar em laudo a dimensão do vazamento. Tomaremos todas as medidas para minimizar o impacto do vazamento e suas consequências, garantiu.





