Trem de passageiros pode ser reativado
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sexta-feira, 23 de abril de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O transporte ferroviário de passageiros entre Londrina e Maringá poderá ser retomado no prazo de dois anos. Um estudo do Ministério dos Transportes prevê a possível reativação de 12 linhas entre cidades-pólos no País. O trecho entre os dois principais municípios da região Norte do Paraná será o único contemplado no Estado na primeira fase do Programa de Resgate do Transporte de Passageiros, que faz parte do Plano Nacional de Revitalização Ferroviária.
A viabilização da nova linha depende de parcerias entre o governo federal responsável pela malha ferroviária e os poderes públicos estadual e local e a iniciativa privada. A formatação do projeto vai depender de definição tomada em audiência pública, que será realizada ainda este ano. O financiamento será feito através de linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os 12 trechos foram selecionados a partir de 140 cadastrados pelo ministério.
De acordo com o diretor de Relações Institucionais do Ministério dos Transportes, Afonso Carneiro, um estudo de viabilidade foi realizado pelo BNDES há cerca de sete anos. ''Estamos na fase final de fechamento de convênios para atualizar estes estudos'', revelou Carneiro. Os convênios são com o BNDES para conferir a viabilidade econômica e com os fabricantes de material rodante (locomotiva e vagões) para confecção dos equipamentos.
Carneiro salienta que o governo federal não deverá implantar o projeto ''sozinho.'' Para isso, serão firmadas as parcerias. A definição sobre a forma de gerenciamento será tomada após a realização da audiência pública. ''O importante é que o trem será gerenciado regionalmente.'' Ele disse ainda que acredita na importância da mobilização das forças políticas para viabilizar a nova linha.
O prefeito de Maringá, João Ivo Caleffi (PT), revelou que a hipótese está sendo estudada no município desde o início do mandato, em 2001. ''Recebemos informações do BNDES de que o trecho entre Maringá e Londrina é o segundo mais viável do Brasil para o transporte de passageiros'', revelou. Caleffi vai a Brasília na próxima semana, quando deverá tratar, entre outros assuntos, do projeto de implantação da linha de passageiros. ''Há vontade política de toda a sociedade organizada da cidade para viabilizar o empreendimento'', garantiu.
Para Carneiro, o trem utilizado deverá ser produzido no país, devido ao custo mais reduzido. A análise inicial do BNDES previa a implantação de maquinário importado, o que poderia ''inviabilizar economicamente o projeto.'' Após fechar as parcerias, os poderes públicos serão responsáveis pelo desenvolvimento do sistema de tráfego e fechamento de convênio para produção dos carros de passageiros.
De acordo com o ex-secretário executivo do Ministério do Transportes Kenji Kanashiro, o programa deve funcionar de forma semelhante às concessionárias de rodovias. O Estado seria responsável pela manutenção da via de transporte e a iniciativa privada, pelo equipamento rodante.
Onze cidades serão diretamente beneficiadas com a possível implantação da linha entre Londrina e Maringá. O trecho de 122 quilômetros terá pontos em Marialva, Mandaguari, Jandaia do Sul, Cambira, Apucarana, Aricanduva, Arapongas, Rolândia e Cambé.
A reportagem entrou em contato com a assessoria do prefeito Nedson Micheleti (PT), mas não obteve retorno até o fechamento da edição.


