Reativar a linha ferroviária de 119 quilômetros que ligam Londrina a Maringá para a utilização de transporte de passageiros é uma das idéias do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para melhorar o desenvolvimento local. Ontem, o gerente executivo do BNDES, João F. Scharinger, apresentou na Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), em Londrina, o projeto sobre o assunto, também apresentado na gestão anterior. Hoje o projeto será apresentado à prefeitura de Maringá. Ao todo, foram avaliados nove trechos em oito Estados (Ceará, Paraíba, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul).
O trecho Londrina-Maringá é considerado como forte potencial para a exploração privada, sendo que o projeto está orçado em R$ 130 milhões. Caso a empresa interessada, após licitação, queira fazer financiamento junto ao BNDES, ela terá o prazo máximo de 10 anos para pagar, com juros de 5% ao ano, com correção pelo TJLP.
A linha férrea beneficiaria onze municípios que fazem parte do trecho: Maringá, Sarandi, Marialva, Mandaguari, Jandaia do Sul, Cambira, Apucarana, Arapongas, Rolândia, Cambé e Londrina. Ao todo, seriam atendidos 15% da demanda dessas regiões, possibilitando a viabilização de 34 mil viagens/dia.
O custo das passagens seriam em torno de 20% a mais do que o preço das passagens de ônibus, atualmente na faixa de R$ 10,00. ‘‘Mas mesmo assim é viável, porque as pessoas terão mais segurança e comodidade, e esta porcentagem foi baseada no que as 10.600 pessoas entrevistadas desses municípios estariam dispostas a pagar a mais pelo conforto’’, informou Scharinger. Para quem costuma fazer o percurso de carro, o não pagamento dos pedágios (R$ 11,80, para ida e volta) também pode ser um fator de estímulo.
Pelo projeto, seriam dipostas três linhas: Londrina-Arapongas (seis trens/dia), Maringá-Marialva (13 trens/dia) e Londrina-Maringá (24 trens/dia), com capacidade de 440 pessoas por trem. A tecnologia utilizada é de diesel leve, mais moderna e de fácil manutenção. Segundo Scharinger, a empresa Marco Polo já teria demonstrado interesse em fabricar estes equipamentos, que atualmente precisam ser importados.
Para o presidente da CMTU, Wilson Sella, o projeto é bastante interessante e deve trazer benefícios, principalmente para a região metropolitana de Londrina. ‘‘Vamos encaminhar o projeto para Prefeitura e é importante que todos os municípios demonstrem interesse por essa idéia que depende de apoio dos governos estadual e federal. Tudo correndo bem, podemos ter essa linha funcionando em três anos’’, destacou.

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