Treinos alimentam sonho de ser jogador
O dia nem clareou e meninos da Zona Sul de Londrina já estão em pé. É o início de uma agenda lotada, que inclui uma hora de ônibus até a Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel), na Zona Leste. Os treinos de futebol são a principal atividade do contraturno escolar. O sonho em comum é jogar como profissional. No caminho, lições de disciplina e cidadania.
A atividade é comandada pelo ex-atacante Aparecido Santos Vilela, que jogou no Londrina na década de 1970. O trabalho diário, nos períodos da manhã e tarde, é acompanhado pelo monitor Thiago Santana, 22 anos, do Projeto Futuro. São 160 aspirantes a craque.
Os gêmeos Matheus Lucas e Kaleb Efraim da Silva, 12, e Hudson Felipe dos Santos, 13, não se incomodam com a ''viagem'' diária para treinar. Para eles, o sonho de ser jogador de futebol vale qualquer sacrifício. Esse, no entanto, não é o único esforço exigido dos garotos. Uma série de pré-requisitos têm de ser cumpridos para participarem dos treinos e das competições.
''O objetivo é ajudar a construir bons cidadãos, mas é claro que a partir do juvenil temos condições de avaliar quem leva mais jeito para o esporte'', ressalta Santana. Atos de indisciplina, por exemplo, são punidos até com suspensão dos treinos. E essas lições de cidadania são tão importantes quanto os fundamentos do esporte e o condicionamento físico, uma vez que a Epesmel e o Projeto Futuro oferecem como contrapartida estrutura, material esportivo e refeições.
Condições que seduzem os garotos da Zona Sul, que dividem o tempo entre a bola e a Escola Estadual Professora Cléia Godoy Fabrini da Silva. No entanto, o futuro, acreditam, pode estar nos gramados do Brasil e do mundo.
Para Hudson Santos, a meta está mais próxima. Os pais dele estão em Portugal há três meses e o jovem pretende tomar o mesmo rumo em breve. ''Meu pai está arrumando um time para mim'', conta, empolgado. Sabe, porém, que o sonho de tornar-se um Cristiano Ronaldo, ídolo do jovem, exige sacrifícios e poder de superação. Por isso, não descarta um Plano B. ''Se não der certo vou fazer faculdade e ser professor de Educação Física.''
O atacante português também é o ídolo de Kaleb Efraim. E para conquistar o objetivo de ser destaque nos gramados, conta com a organização e a segurança da escolinha de futebol. Antes, jogava nas ruas perto de casa, mas diz que prefere a estrutura da Epesmel. ''Aqui é muito melhor. Lá não tem campeonato e às vezes sai briga. Aqui todo mundo é amigo'', elogia. (F.R.F.)





