Treinamento quer mudar quadro de doações em Londrina
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sexta-feira, 26 de setembro de 2003
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Apesar dos avanços recentes, o transplante de órgãos ainda é um assunto envolto em mitos, medos e pouca informação. Talvez por isso o número de doações seja tão baixo em relação a disponibilidade de doadores. Segundo estimativa da Central Regional Norte de Transplantes (CRNTx), com sede em Londrina, apenas 20% do potencial de doações é realmente efetivado (ver infográfico), o que torna a espera das 336 pessoas da lista da CRNTx que aguardam córneas, rins ou coração ainda mais longa. Para tentar mudar essa realidade, a central promove, pelo segundo ano consecutivo, um treinamento de massa de agentes comunitários de saúde.
Ontem, 200 agentes de todas as regiões de Londrina passaram pelo treinamento. A idéia é desmistificar o transplante e usar os agentes como multiplicadores de informações. ''O transplante é um assunto que as pessoas não costumam pensar porque envolve morte, por isso há muitas dúvidas e medos submersos que trazemos a tona nesse treinamento e desmistificamos'', comentou a enfermeira Ogle Bacchi de Souza, coordenadora da CRNTx.
A sistemática do curso é simples: os agentes assitem uma palestra e depois debatem em pequenos grupos com monitores do CRNTx. No final do treinamento, eles recebem cartilhas com informações básicas e os principais questionamentos sobre o assunto. ''Como é um assunto difícil muita gente só descobre que tem dúvidas depois de participar'', complementou.
Atuando na região oeste há dois anos, a agente Luzia Pires Cardias, 53 anos, admite que nunca tinha refletido profundamente sobre o transplante de órgãos. ''Nunca parei para pensar e agora vi como é importante, daqui para frente vou poder divulgar isso'', afirmou. Já a agente Cristiane Faustino, 21 anos, que atua no Jardim Alvorada (zona oeste) descobriu que sabia muito pouco sobre o assunto. ''Tinha dúvidas sobre como doar, qual a importância e quais as doenças que impedem a doação'', disse.
Segundo a enfermeira Ogle, os medos clássicos da população ainda persistem como, por exemplo, a chance de um paciente não ser salvo para ter os órgãos retirados ou os ricos comprarem lugar na fila de espera, ambas situações impossíveis. Por isso, a cartilha tem uma seção especial sobre os boatos que diminuem a chance das famílias optarem pela doação.
Outras dúvidas frequentes são o custo da doação (não existe), se o doador fica mutilado (não fica) e se os órgãos podem ser retirados a revelia da família (não pode). Vale lembrar que o transplante só é autorizado após o paciente apresentar quadro de morte encefálica parada definitiva e irreversível do éncefalo que causa morte gradual dos demais órgãos. Em casos de morte por parada cardíaca também há possibilidade de doação de órgãos como a córnea e ossos.
A central atende 82 municípios da região e tem 336 pacientes na fila, cuja maioria, 72%, a espera de um rim. Nesse ano já foram realizados na região 92 transplantes.


